Disparidade entra as equipes causou constrangimento e explica a derrota da Seleção por 4x1 O que era o temor de muita gente antes de a bola rolar, acabou se confirmando em Buenos Aires. O Brasil foi atropelado pela Argentina e sofreu a maior derrota dos últimos 65 anos para o maior rival. Desde dezembro de 1959 a seleção brasileira não levava um 4x1 dos argentinos. Uma mancha histórica, e que reflete perfeitamente a distância entre os dois times atualmente.
Dorival Junior vinha repetindo incessantemente que a equipe evoluía. Nos outros jogos já era imperceptível esse crescimento. Depois do ocorrido na noite desta terça-feira, o discurso tornasse insustentável, assim como a permanência da atual comissão técnica.
É preciso, no entanto, dividir responsabilidades. Principalmente com Ednaldo Rodrigues, presidente reeleito por aclamação na CBF, mas que conduz um processo totalmente atrapalhado na seleção brasileira desde o Mundial do Catar. O Brasil terá provavelmente o quarto treinador deste ciclo. Há lacunas na atual geração de jogadores, mas eles parecem inferiores dentro do bisonho contexto atual.
Escalações
Sem Lionel Messi e Lautaro Martinez, Lionel Scaloni contou com o retorno com De Paul para reforçar ainda mais o meio-campo. Simeone foi para o banco. Já Dorival Junior confirmou as seis mexidas em relação ao último jogo. Matheus Cunha e Wesley barraram João Pedro e Vanderson. Bruno Guimarães, Gérson, Gabriel Magalhães e Alisson foram desfalques.
Como Argentina e Brasil iniciaram o clássico válido pela 14ª rodada das Eliminatórias para a Copa 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Se faltava uma partida para Dorival Junior entender o real estágio de ''evolução'' de sua equipe, o confronto contra a Argentina escancarou toda a limitação coletiva do Brasil logo nos primeiros minutos. A ideia inicial do treinador foi ter Vini Jr e Matheus Cunha dando o primeiro combate na frente de uma linha de quatro com Rodrygo pela esquerda, Raphinha pela direita, e os volantes centralizados.
A prática foi uma tragédia. Os donos da casa recuavam suas peças para atrair o Brasil. Paredes se aproximava mais dos zagueiros. De Paul pela meia-direita, Mac Allister pela meia-esquerda, e Enzo Fernández e Almada, ''desciam'' o campo para trocar passes curtos e gerar superioridade no setor da bola. Perdida, a seleção brasileira não teve capacidade para oferecer uma resposta eficaz.
Tentou subir o bloco sem qualquer organização, foi superada com bola de pé em pé diversas vezes, e tomou um vareio dos argentinos, com direito a três gols em 36 minutos, outros dois lances de perigo, e gritos de ''olé'' em um Monumental entupido de orgulhosos torcedores. Era evidente a descoordenação entre os setores brasileiros para reduzir os danos que a boa construção rival poderia causar.
Almada e Enzo Fernández saíram da 1ª etapa como grandes destaques. Quase sempre recebendo em espaços nas costas dos volantes brasileiros, ou nas lacunas geradas pela ausência de retornos de Raphinha e Rodrygo pelos flancos. Tentavam acompanhar os movimentos de combate de Vini e Cunha sem qualquer coordenação, expondo os perdidos volantes e a última linha do time de Dorival.
Enzo Fernández comemora gol em Argentina x Brasil
Luis ROBAYO / AFP
Marquinhos foi muito mole no combate a Almada na origem do lance do primeiro gol. Tagliafico avançou sem problemas no setor de Raphinha e Wesley. Murillo e Arana lidaram mal com o volume albiceleste pelo setor esquerdo de defesa. A retaguarda brasileira parecia amadora diante de um time seguro e envolvente.
A situação teve uma trégua em ação individual de Matheus Cunha aos 26'. Sozinho, pressionou Cristian Romero e forçou o erro do zagueiro oponente antes de diminuir um placar que àquela altura já marcava 2x0 para os anfitriões. Nitidamente fruto do relaxamento da Argentina, que dominava completamente as ações até então.
Julián Álvarez, autor do 1º gol, era mais uma recuar para carimbar a bola já na intermediária ofensiva. Se mexeu com a conhecida desenvoltura entre os zagueiros. O terceiro tento dos atuais campeões mundiais veio em mais uma demonstração de desorganização do time brasileiro. Marcou muito mal a entrada da área em cobrança curta de escanteio, e Mac Allister anotou após passe de Enzo.
Vini Jr ainda tentou algumas jogadas individuais na reta final da 1ª etapa, mas esteve totalmente isolado pela esquerda. Matheus Cunha mostrou a atitude mais positiva da Seleção. Lutou e conseguiu ganhar duelos no campo rival. Raphinha e Rodrygo estiveram totalmente anulados. Joelinton fora de sintonia e André totalmente vendido em meio ao caos coletivo brasileiro.
Argentina x Brasil
JUAN MABROMATA / AFP
Mesmo com o cenário, Dorival esperou até o intervalo para mexer. João Gomes, Endrick e Léo Ortiz foram escolhidos para entrar nos lugares de Joelinton, Rodrygo e Murillo. Matheus Cunha recuou para virar o ''terceiro homem'' de meio-campo. Endrick foi o centroavante. Vini e Raphinha trabalharam pelos flancos.
Depois do intervalo, a seleção brasileira passou a apresentar outros problemas, mas muito conhecidos de outros jogos. Principalmente a saída de bola, mesmo sem uma pressão tão forte por parte dos argentinos. As trocas de passe envolventes seguiram. E antes dos 15 minutos a Albiceleste poderia ter ampliado com Julián Álvarez e Tagliafico.
Isso não demoraria a acontecer. Savinho, que tinha acabado de entrar, dormiu na marcação a Tagliafico, e o lateral cruzou rasteiro para Simeone ampliar. Marquinhos e Guilherme Arana também assistiram ao lance.
Ofensivamente, o 2º tempo da seleção brasileira se resumiu a uma cobrança de falta de Raphinha no travessão e a algumas tentativas de arrancadas de Endrick, outro que esteve totalmente isolado. A Seleção poderia ter sofrido uma derrota ainda pior, tamanha a quantidade de chegadas perigosas dos argentinos nos minutos finais.

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