Possibilidade de manter Dorival no cargo para esperar por Ancelotti é afronta a um dos profissionais mais respeitados do futebol brasileiro Seleção da Argentina goleia o Brasil e torna evidentes as fragilidades da equipe de Dorival Junior
O ge informa que uma das possibilidades estudadas pela CBF é manter Dorival Júnior no cargo para ganhar tempo e poder contratar Carlo Ancelotti – já que o italiano não aceitaria o emprego antes de disputar o Mundial de Clubes com o Real Madrid em junho. A hipótese traz à superfície a principal linha filosófica do futebol brasileiro: nada é ruim a ponto de não poder piorar.
Jamais defendi a escolha de Dorival como técnico da Seleção. Jamais vi nele condições de comandar o time em uma Copa do Mundo. Mas ele merece respeito. Cozinhá-lo no cargo para evitar a presença de um interino (antes da eventual chegada de Ancelotti) seria uma afronta ao currículo e ao trabalho de um dos treinadores mais respeitados do país.
Mas não surpreenderia. A decisão está nas mãos de Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF. O mesmo que dinamitou esse ciclo da Seleção.
Foi um show de horrores. Tite avisou no começo de 2022 que deixaria o cargo no fim daquele ano. O substituto, Fernando Diniz, só foi anunciado em julho do ano seguinte, e de forma interina, com contrato por uma temporada. Durou seis jogos. Enquanto isso, Ednaldo alardeava certezas de que Ancelotti aceitaria o cargo – até levar um fora e precisar recorrer a Dorival.
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Dorival Júnior em Brasil x Argentina
REUTERS/Agustin Marcarian
Falta pouco mais de um ano para a Copa do Mundo. Restam quatro jogos pelas Eliminatórias e três datas de amistosos até o Mundial. Não há mais tempo para fazer malabarismo com treinadores. Não podemos mais esperar. A Seleção precisa de um técnico para ontem.
A CBF tem que definir esta semana se Dorival será demitido ou mantido no cargo. Se ele for demitido, a escolha do substituto deve ser imediata. Se ele for mantido, paciência: que seja mantido até a Copa do Mundo, e não como disfarce até a próxima derrota (que não deverá tardar, dado o nível da Seleção)
Defendo a primeira opção. E acredito que o substituto deveria ser Abel Ferreira, dono do melhor trabalho no futebol brasileiro nos últimos cinco anos, ou Filipe Luís, nosso nome mais promissor.
Seja quem for, terá um enorme desafio: em pouco tempo, achar um time (não há) capaz de dar ao Brasil a mínima condição de tentar enfrentar seleções muito mais fortes – abismo que ficou evidenciado no vexame contra a Argentina.
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