Massa Bruta levou muitos problemas para a saída de bola alvinegra e venceu, mesmo caindo de produção no 2º tempo Depois de 18 jogos sem saber o que é derrota em compromissos pelo Campeonato Brasileiro, o Botafogo pedeu a invencibilidade que durava desde o mágico ano passado. Foi superado pelo intenso Bragantino na tarde deste sábado, no interior paulista. O Glorioso apresentou problemas para superar a ótima marcação adiantada dos donos da casa e demorou a incomodar de forma regular a defesa rival.
É difícil não apontar o aspecto físico como algo importante na definição do resultado. O time carioca teve um jogo de muita entrega para buscar a vitória na última terça-feira, pela Libertadores, enquanto os paulistas descansaram e treinaram ao longo da semana. Mesmo considerando isso, é necessário exaltar a organização para impedir que o Botafogo saísse jogando de forma limpa na 1ª etapa.
Escalações
Fernando Seabra promoveu três mudanças na equipe em relação a derrota para o Fluminense. Uma delas forçada. Matheus Fernandes, lesionado, deu lugar a Eric Ramires. Nas pontas, Lucas Barbosa e Mosquera ganharam as vagas de Nacho Laquintana e Vinicinho.
Renato Paiva contou com o retorno de Igor Jesus ao time. Patrick de Paula ganhou nova oportunidade como titular. Santi Rodriguez foi para o banco. Com isso, Savarino partiu do lado esquerdo do campo. Vitinho também retomou a vaga que foi de Mateo Ponte diante do Carabobo.
Como Bragantino e Botafogo iniciaram o duelo válido pela 3ª rodada do Brasileirão 2025
Rodrigo Coutinho
O jogo
O Bragantino dominou o Botafogo em quase todo o 1º tempo. Abriu o placar em bela jogada de Jhon Jhon, que após tabelar com Juninho Capixaba em escanteio curto pela direita, passou como quis por Alex Telles e cruzou para Eduardo Sasha concluir na pequena área. Mas antes de balançar as redes ainda aos cinco minutos, o Massa Bruta já dava mostras de superioridade.
Baseou sua imposição ao marcar de maneira quase que implacável a saída de bola adversária. Jhon Jhon e Eduardo Sasha davam o primeiro combate e induziam quase sempre o primeiro passe para o lado, Mosquera e Lucas Barbosa ''saltavam'' a pressão em quem recebesse a bola, seja zagueiro ou lateral, e eram acompanhados na movimentação vertical por volantes e laterais.
O Botafogo se viu com os volantes e pontas bloqueados para receber a bola. Tentou avançar em passes curtos algumas vezes, mas errou pela intensa pressão em quem tinha a pelota nos pés. Cedeu chances ao Bragantino assim. Na melhor delas, John impediu mais um gol de Sasha, e Jair salvou um tento certo de Mosquera em cima da linha.
Uma alternativa do Glorioso foi tentar a bola longa para Igor Jesus, que lutava com os zagueiros, mas não levava tanta vantagem. O centroavante, no entanto, chegou muito perto de empatar o jogo na única vez que o Botafogo conseguiu sair da marcação alta anfitriã. Vitinho ganhou uma dividida com Juninho Capixaba e a bola ainda passou por Savarino antes do chute de Jesus na trave direita.
RB Bragantino x Botafogo
Vítor Silva/Botafogo
Além das questões envolvendo sua saída de bola, o Botafogo demorou cerca de 20 minutos para entender os movimentos de Jhon Jhon, que saía do meio para a esquerda, arrastava Gregore, vencia o duelo, e aproveitava para conduzir no imenso espaço que se abria entre o trio de meio-campistas dos cariocas. A origem do escanteio que gerou o gol veio em uma jogada exatamente assim.
Depois de colocar o Bragantino perto da área, Jhon Jhon geralmente dirigia a bola ao lado direito, onde Lucas Barbosa, Eric Ramires e Sasha tentavam rápidas associações. O Glorioso também teve problemas no lado esquerdo de sua defesa. Com o passar do tempo, o ritmo frenético dos donos da casa foi naturalmente caindo, e o Botafogo conseguiu trabalhar mais dentro do campo oponente.
Savarino foi uma ótima ferramenta para circular por trás do meio-campo do Massa Bruta, receber os passes, e colocar o Botafogo no ataque. Marlon Freitas passou a tocar mais na bola também, mas nenhuma chance concreta foi criada. Patrick de Paula contribuiu pouco. Perdido ao receber combates na saída de bola e pouco efetivo ao ter a posse na intermediária contrária.
Renato Paiva optou por manter a mesma equipe para o 2º tempo. O cenário do final da 1ª etapa se manteve após o intervalo. O Bragantino tentava repetir a pressão, mas não apresentava a mesma intensidade e coordenação para isso, e o Botafogo progredia. Conseguiu sair com a bola de pé em pé duas vezes e finalizar com perigo da entrada da área antes dos cinco minutos.
Patrick de Paula em RB Bragantino x Botafogo
Vitor Silva / Botafogo
O Bragantino deu um ''passo atrás'' e se compactou no próprio campo. O Botafogo aumentou seu tempo de posse e trocou mais passes perto da área. Seabra sacou Lucas Barbosa para a entrada de Vinicinho, passou Mosquera para a ponta-direita. Paiva tirou Alex Telles e Patrick de Paula. Cuiabano e Matheus Martins entraram. Savarino ficou mais centralizado, logo a frente de Marlon e Gregore.
Eric Ramires, um dos destaques do time da casa no jogo, saiu exausto na metade do 2º tempo. Juninho Capixaba foi jogar no meio-campo com a entrada de Guilherme. O Glorioso ganhou mais agressividade com Cuiabano e Matheus Martins pela esquerda. O técnico português quis renovar também as peças pela direita. Artur e Vitinho cederam vaga a Santi Rodriguez e Mateo Ponte.
Vinicinho se aproveitou do cenário que o jogo ganhou para levar perigo em contragolpes pela esquerda. O Botafogo não conseguia ter regularidade para criar oportunidades, apesar de ter melhorado em relação ao fraco 1º tempo e levar vantagens pelo lado esquerdo de seu ataque. Ficou naturalmente exposto às transições dos donos da casa.
Eduardo Sasha, em Bragantino x Botafogo
Ari Ferreira/Red Bull Bragantino
Seabra queimou suas últimas três mexidas de uma vez. Preocupado com o lado direito da defesa, sacou Hurtado e botou o zagueiro Eduardo Santos na direita. Tirou também Jhon Jhon e Eduardo Sasha, os melhores em campo, para as entradas de Gustavo Neves e Isidro Pitta.
O pacote fez com que o Botafogo intensificasse a sua pressão, principalmente em função do recuo de Juninho Capixaba para compor uma linha defensiva de cinco elementos. Com menos gente para combater no meio ou com qualidade para reter a bola em regiões avançadas do gramado, os anfitriões atraíram demais os visitantes. Igor Jesus quase empatou ao bater forte para a ótima defesa de Cleiton.
Mastriani entrou no lugar de Marlon Freitas nos últimos minutos e o Botafogo passou a ter jogadores ocupando a área constantemente. Menos capacidade de articulação no meio. Seguiu perigoso pela esquerda, mas não obteve o empate com as muitas bolas alçadas na área. Cleiton ainda deu um susto em saída estranha da meta. Insuficiente, porém, para abalar a vitória dos donos da casa.

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