Time de Abel Ferreira é muito superior e devolve ao Corinthians armadilha que custou o título paulista
Palmeiras 2 x 0 Corinthians | Melhores momentos | 3ª rodada | Brasileirão 2025
Aos 46 minutos do segundo tempo, o lateral-esquerdo Hugo mandou um chute cruzado, e Weverton espalmou. Aquela foi, quase na despedida do jogo, a primeira finalização do Corinthians na direção do gol rival. Isso ilustra por que o Palmeiras venceu o Dérbi de sábado por 2 a 0. E também explica por que poderia ter sido mais.
Embora o Corinthians tenha ficado mais tempo com a posse, foi um clássico de um time só. O Palmeiras foi superior sob qualquer perspectiva: a tática, a técnica, a anímica – e na anímica há outra ilustração, a bola que Memphis Depay só percebe que foi passada para ele quando ela encosta em seu corpo, que vagava distraído pelo gramado.
Ironicamente, o Palmeiras devolveu a armadilha usada pelo adversário na final do Paulistão. Lá, após construir a vantagem no primeiro jogo, o Corinthians anestesiou a equipe de Abel Ferreira no duelo de volta e carregou o resultado com conforto, praticamente sem ser acossado, até o fim. Desta vez, o Palmeiras abriu 2 a 0 no primeiro tempo, em dois chutes de fora da área, e viu o oponente tocar a bola o tempo todo para lugar algum.
Nenhum jogador do Palmeiras devolveu a provocação de Memphis Depay. Ninguém subiu na bola com os dois pés – já que a CBF, como se não tivesse problemas mais urgentes, proibiu o gesto. Mas em idos do segundo tempo, quando a torcida gritava olé diante de um oponente inerte, metaforicamente era isso que acontecia: o Palmeiras subia na bola com os dois pés.
O Dérbi serviu para reforçar a oscilação do Corinthians – defeito que atrapalha muito um time que tem (ou teria) potencial para brigar por títulos. E mostrou, mais uma vez, que convém não duvidar deste Palmeiras.
Abel Ferreira vive um momento particularmente desafiador, com a pressão da recente perda de títulos somada à transformação do elenco – é uma evidente mudança de ciclo. Mas ele volta a dar sinais de que conseguirá levar o time a brigar por mais conquistas.
Piquerez comemora o primeiro gol do Palmeiras no clássico contra o Corinthians pelo Campeonato Brasileiro
Marcos Ribolli
Vitor Roque, apesar de ainda buscar o primeiro gol, vai se ajustando ao time – e o time a ele. Paulinho, recuperado de lesão, é um excelente reforço. E há também a natural adaptação de Facundo Torres e o crescimento de produção de Felipe Anderson. Tudo isso dá um horizonte interessante a uma equipe que ainda pode melhorar.
São quatro vitórias seguidas para o Palmeiras: as anteriores mais na organização, na vontade, na habitual resiliência desta equipe, do que na qualidade; a do Dérbi bem mais animadora. E agora vêm novos desafios pesados.
Serão três partidas seguidas fora de casa, a primeira delas contra o Inter, um time que vem jogando ótimo futebol – e um concorrente direto na disputa pelos principais títulos no ano. Será mais uma daquelas partidas que ajudam a explicar o patamar de uma equipe e até onde ela pode ir na temporada.

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