3x0 do Cruzeiro foi um 'amasso' sobre o Bahia e fez o clube entrar no G6 do Brasileirão Não dava mais para seguir do jeito que estava! Leonardo Jardim sabia disso e, a partir do seu oitavo jogo no comando celeste, foi radical. Barrou as duas maiores estrelas do elenco. Passou a colocar no gramado uma equipe mais combativa sem a bola, intensa para cumprir estratégias que a versão com Dudu e Gabigol não vinha possibilitando. A ótima atuação diante do Bahia comprova o acerto!
Não quer dizer que a dupla de astros não possa voltar ao time, mas terão que ao menos se aproximar da dedicação de Kaio Jorge e Christian - novos titulares - para pressionar a saída rival e lutar por bolas em disputa. Kaio e Christian foram dois dos destaques do domínio total que a Raposa impôs ao irreconhecível Bahia. O Esquadrão ainda não venceu em quatro rodadas e amarga um lugar no Z4.
Escalações
Leonardo Jardim repetiu exatamente a mesma equipe que empatou com o São Paulo no Morumbis. Dudu e Gabigol seguiram no banco de reservas. Já Rogério Ceni preservou David Duarte e Everton Ribeiro, que iniciaram entre os reservas, assim como Lucho Rodriguez e Ademir. O jovem Fredi, de apenas 18 anos, formou a zaga com Mingo. Erick, Cauly e Willian José também foram titulares.
Como Cruzeiro e Bahia iniciaram o duelo que encerrou a 4ª rodada do Brasileirão 2025
Rodrigo Coutinho
O jogo
O Cruzeiro estava precisando de um início de partida de tamanha imposição diante de sua torcida. Antes mesmo dos 20 minutos a Raposa já tinha criado duas grandes chances, basicamente todas a partir de pressões bem feitas na saída de bola do Bahia. Kaio Jorge, apesar do pênalti perdido, era o principal homem da estratégia. Roubou do goleiro Ronaldo antes da infração desperdiçada.
Ainda serviu Wanderson, que perdeu boa oportunidade, e chutou cruzado uma bola que decretou a lesão e a saída precoce de Ronaldo, um dos mais inseguros com a blitz mineira. Marcos Felipe entrou. Lucas Romero oferecia suporte por trás da pressão central de Kaio Jorge e Matheus Pereira nos zagueiros do Bahia. Christian e Wanderson eram intensos ao bloquearem os flancos.
Assim como já ocorrera no início do jogo contra o Mirassol, o Bahia não conseguia se mover para oferecer linhas de passe curto, e nem buscava ligações diretas com algum alvo pré-definido. Ficou acuado, errando e cedendo chances aos donos da casa. O Cruzeiro acelerava em rápidas e verticais trocas de passe após neutralizar os avanços tricolores.
Kaio Jorge, do Cruzeiro, durante partida contra o Bahia
Fernando Moreno/AGIF
Com o tempo, aumentou sua taxa de posse de bola no gramado rival. Projetou os dois laterais simultâneamente, ambos bem abertos. Christian e Wanderson chegaram mais perto de Matheus Pereira por dentro. Lucas Romero dava a sustentação entre os zagueiros para liberar Fágner e Kaiki. Lucas Silva distribuía os passes na zona de articulação.
O Bahia manteve-se atônito. Longe do ritmo de circulação de bola cruzeirense. Foi envolvido em diversos lances e até demorou para ter sua rede balançada. Marcos Felipe fez boas defesas. Uma delas quase milagrosa, em cabeçada de Fabricio Bruno, mas pulou muito atrasado no belo chute de Lucas Romero nos acréscimos, arremate que deu justiça ao histórico do jogo.
Mesmo quando recuou o bloco de marcação, já depois dos 30 minutos, o time celeste foi compacto e agressivo na abordagem. Contrastou com a passividade baiana para buscar as conexões no ataque. Nada de positivo do time de Rogério Ceni apareceu na 1ª etapa, os erros seguiram e o Cruzeiro encaixou ótimos contragolpes também.
Cruzeiro x Bahia
Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Além de Lucas Romero, autor do golaço e um ''leão'' na marcação, Christian chamou a atenção pela quantidade de bolas retomadas no campo de ataque e pelos duelos vencidos. Matheus Pereira encaixou bons passes em transições rápidas. Fágner e Kaiki deram volume pelos lados. Lucas Silva agilizou a circulação de bola da equipe, e Fabrício Bruno esteve soberano na linha defensiva.
No Bahia, Caio Alexandre, Erick e Jean Lucas fizeram uma 1ª etapa irreconhecível. Fredi sentiu a pressão e cometeu erros. Luciano Juba não chegou nem perto do jogador que vem sendo, e Willian José não sustentou uma bola longa sequer diante de Villalba e Fabrício Bruno. Apenas Ramos Mingo se safou com boas intervenções defensivas.
Leonardo Jardim precisou sacar Fágner por questão física no intervalo. William entrou. Já Ceni tirou Erick e Willian José. Everton Ribeiro e Lucho Rodriguez foram a campo. O uruguaio, ao contrário do que vinha acontecendo ao jogar com Cauly, recompôs pelo lado direito no momento defensivo, deixando o brasileiro mais liberado, à frente da linha de meio-campo, como ocorria com ele no ano passado.
O jogo mudou na 2ª etapa. O Cruzeiro obviamente não conseguiria sustentar o ritmo da 1ª etapa. Naturalmente recuou o bloco de marcação. Everton Ribeiro buscou assumir o protagonismo da construção ofensiva do Esquadrão e naturalmente elevou o nível dela. O time conseguiu ter uma realidade mais próxima com a que se sente confortável e alguns jogadores subiram de produção.
Cauly em ação pelo Bahia contra o Cruzeiro
Rafael Rodrigues/EC Bahia
A equipe celeste pode ter mudado a ''altura'' do bloco de marcação, mas não deixou a combatividade no vestiário. Agora tinha o contragolpe a sua disposição caso desarmasse perto da linha média. Isso ocorreu perto da metade do 2º tempo, quando Lucas Silva roubou a bola de Everton Ribeiro e Christian enfiou um lindo passe para Kaio Jorge se desvencilhar de Ramon Mingo e ampliar o placar.
Rogério Ceni fez suas duas últimas mexidas ao promover as entradas de Gilberto e Ademir nas vagas de Arias e Cauly. Em mais um contragolpe sem oposição do Bahia, Lucas Silva e Kaiki construíram a transição que terminaria na bela finalização de Kaio Jorge, o terceiro gol do Cruzeiro. Gabigol e Dudu entraram já na reta final do jogo, nas vagas de Christian e do artilheiro da noite.
Erick Pulga ainda tentou diminuir em bela jogada individual pela esquerda, mas seria difícil fazer a diferença sozinho diante de tamanha imposição coletiva dos mineiros. Leonardo Jardim deu poucos minutos também a Eduardo e Walace, outras contratações badaladas, mas que ainda não chegaram perto de se provar no Cruzeiro.
O time terminou o jogo em queda de produção com as muitas mexidas feitas, mas não foi suficiente para afetar a ótima atuação da Raposa. O Bahia vive momento de baixa depois da grande vitória contra o Nacional, pela Libertadores. Tem equipe e elenco para muito mais na competição.

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