Seleção sportv comenta apresentação de Dorival Júnior no Corinhtians
Nada é oficial porque transparência ainda se traduz na nuvem em se tratando dos gastos dos clubes com o futebol. Rudi Armin Petry, um dos mais gentis dirigentes de futebol da antiga, já falecido, dizia que havia coisas no Grêmio que eram de "economia interna". A frase não causava nenhum espanto no tempo em que foi dita pela primeira vez. Já viramos o século, a frase do grande dirigente gremista não cabe mais.
Não é de economia interna se o Corinthians, por exemplo, que não teve as contas aprovadas em reunião recente do seu Conselho, se autoriza pagar perto de R$ 3 milhões por mês para Dorival Júnior. Não sou fiscal do salário alheio, missão da Receita Federal. Mas é óbvio que não há como ter saúde financeira se um clube que não tem as contas aprovadas e deve próximo à casa do bilhão decide pagar um salário deste tamanho a um profissional.
Augusto Melo, o presidente, está prestes a passar pelo seu segundo processo de impeachment. O Corinthians, que tem potencial para ser o que o Flamengo se tornou como potência esportiva e financeira, se arrasta na Sul-Americana e não faz ideia do seu futuro na Copa do Brasil e no Brasileirão. Seu estádio enche em todos os jogos, prova de amor e lealdade de sua torcida, o que nem de longe garante saúde nos números para o gigante paulista.
Dorival Júnior, técnico do Corinthians, com o diretor Fabinho Soldado e o presidente Augusto Melo
Rodrigo Coca / Ag.Corinthians
Se um dia o dirigente pagar com o seu CPF pelos gastos que promove enquanto presidente, é possível que cenas como essa não se repitam. Não há qualquer responsabilidade criminal para quem deixa em frangalhos as finanças do clube que presidiu.
O Inter de 2016, por exemplo, foi saqueado por quem estava no poder. Como aqui havia elementos apontando dolo, os dirigentes da época estão respondendo na Justiça. Porém, estou tratando de outra coisa; não o dolo, mas a irresponsabilidade, a leviandade com o cofre, a falta de visão de futuro de quem dirige. Também neste caso o dirigente precisa ser responsabilizado.
Na contrapartida, deixaria de existir a figura do presidente que se dispõe ao "sacrifício" de estar no cargo em detrimento de sua vida pessoal. Num novo cenário, presidentes seriam remunerados como profissionais porque sua ação seria cobrada na mesma medida. Não vai acontecer tão cedo, o que significa que continuaremos a ver nos mais diferentes gigantes do país dirigentes fazendo estripulias com o dinheiro que não sai do seu bolso.
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