Contratações pontuais oxigenam elenco e permitem imaginar mais um ano com o time de Abel Ferreira brigando por títulos Cheio de caras novas, Palmeiras se reapresentou ontem
As SAFs não surgiram no ano passado, mas o sucesso do Botafogo transformou 2024 em uma espécie de símbolo dessa revolução. O campeão brasileiro foi uma SAF, os dois finalistas da Libertadores foram SAFs, o Fortaleza ensaiou brigar pelo título nacional sendo uma SAF. E também foi o ano em que o Palmeiras só conquistou o título estadual.
É possível olhar para o 2024 do Palmeiras como um ano de derrocada: o time não rendeu o mesmo que em temporadas anteriores, caiu precocemente na Copa do Brasil (oitavas de final, para o Flamengo) e na Libertadores (oitavas de final, para o Botafogo) e não teve fôlego para ser campeão brasileiro. Mas também é possível ser mais complacente.
É comum que times muito vitoriosos vivam quedas abruptas logo depois – o Fluminense de 2024, o Corinthians de 2013, o Inter de 2007. Isso não aconteceu com o atual Palmeiras, assim como não aconteceu, para dar um exemplo no sentido contrário, com o São Paulo após o título mundial de 2005.
Aí está um dos pontos mais admiráveis no ótimo trabalho capitaneado por Abel Ferreira: a capacidade de manter em alta rotação, por anos a fio, um elenco bastante vencedor – fenômeno que pode ser ilustrado pelos minutos finais do histórico jogo de volta contra o Botafogo na Libertadores, com aquela falta de Gabriel Menino, aos 54 do segundo tempo, explodindo no travessão e definindo os caminhos do futebol brasileiro para os meses seguintes.
Time comandado por Abel Ferreira deve figurar entre os protagonistas de 2025
Marcos Ribolli
Faço todo esse preâmbulo para falar sobre o Palmeiras de 2025. Em meu último post aqui no blog, escrevi sobre a desconfiança que me desperta o modelo de contratações do Cruzeiro, com a aposta em jogadores de excelente nível, mas que já não vivem o auge – e que já são atletas consagrados. São os casos de Gabigol, Dudu e Fagner.
O Palmeiras segue um caminho diferente. Até agora, contratou o atacante uruguaio Facundo Torres, de 24 anos, que estava no Orlando City, e Paulinho, também de 24 anos, buscado no Atlético-MG. São contratações pontuais, para o setor onde o time mais precisava de reforços. E são jogadores jovens, com forte potencial de mercado para o futuro – e com uma carreira ainda em construção.
A eles, deve se somar o meia Andreas Pereira, 29 anos, do Fulham. Se não der certo, a alternativa é Villasanti, 27 anos, melhor jogador do Grêmio no ano passado. Também são nomes que fazem sentido.
Andreas Pereira é o principal alvo do Palmeiras para o mercado
Reuters
A base do elenco multicampeão do Palmeiras vem envelhecendo. Jogadores que antes viviam o auge começam a cair de produção – como aconteceu com Dudu. Essa oxigenação, feita de forma gradativa, tende a dar resultado. E permite imaginar que, mesmo em tempos de SAFs investindo tanto dinheiro em contratações, lá vem o Palmeiras de novo

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