Peixe era melhor até o camisa 10 ser expulso. Botafogo consegue a primeira vitória como visitante no Brasileirão Quando tudo parecia convergir para uma tarde feliz aos santistas na Vila Belmiro, tudo foi por água abaixo. O Peixe dominava o Botafogo e empilhava chances perdidas, mas acabou derrotado pela mudança de cenário nos últimos 15 minutos da partida. A tola expulsão de Neymar motivou tal transformação. Artur coroou mais uma boa atuação com o gol do triunfo do Glorioso.
Os três pontos levaram o time carioca para a 8ª posição. Já o Santos segue amargando o Z4. Neymar era um dos destaques em campo até ser expulso, participou de boas jogadas, mas é necessário citar o infantil cartão amarelo levado na 1ª etapa. Quando fez falta dura, desproporcional e sem a menor necessidade no zagueiro Jair. No 2º tempo, levou nova advertência e acabou excluído de campo.
Ainda sem acordo de renovação no contrato que termina no dia 30 de junho, pode ter se despedido de maneira pobre na segunda passagem em seu clube formador. O Botafogo só foi conseguir ser produtivo de fato com um homem a mais, e esbanjou precisão nos poucos minutos em que o jogo ganhou esse contexto.
Escalações
Mesmo com dois laterais-direitos a disposição, Cléber Xavier surpreendeu ao improvisar Escobar, um canhoto, na função. O jovem Souza foi mantido na lateral-esquerda. Luan Peres foi desfalque e João Basso formou a zaga com Zé Ivaldo. Neymar foi titular pela primeira vez em uma partida oficial depois da lesão muscular. Atuou como ''falso nove''. Deivid Washington foi para o banco.
Já Renato Paiva preservou Barboza e Igor Jesus. O centroavante, prestes a ter sua venda anunciada para o Nottingham Forest, nem foi relacionado. David Ricardo retomou espaço na zaga e Rwan Cruz foi o centroavante. Allan atuou a partir do lado esquerdo do meio-campo. Cuaiabano foi desfalque.
Como Santos e Botafogo iniciaram o duelo válido pela 11ª rodada do Brasileirão 2025
Rodrigo Coutinho
O jogo
O Santos conseguiu ser melhor que o Botafogo e deu esperanças ao torcedor durante o 1º tempo na Vila Belmiro. Teve postura combativa. Subiu a marcação de forma organizada e intensa. Fez desarmes e interceptações na intermediária ofensiva e perto da linha média. Acelerou em ataques interessantes na sequência. Apesar da posse de bola menor, poderia ter aberto o placar pelo volume que teve.
Neymar se moveu de forma inteligente. Sempre indo de encontro a bola para ser o pensador dos rápidos ataques que o time encaixou. Quase marcou em jogada individual, mas parou em John. O Peixe encaixou outras ocasiões em que o arremate não foi o ideal. Escobar, Guilherme, Zé Rafael - bem em campo -, Barreal e Rollheiser terminaram mal algumas tramas coletivas.
O time teve a tendência natural de concentrar os avanços pelo lado esquerdo. Setor mais buscado por Neymar, principalmente em associações com Guilherme e Souza. Barreal e Rollheiser também se aproximaram de lá em determinados momentos, e Escobar não fez tantos movimentos de ataque em profundidade no flanco direito. Levou perigo assim em apenas uma ocasião.
Neymar e Gregore, Santos x Botafogo
Mauricio De Souza/AGIF
O Botafogo encontrou problemas para avançar no campo de maneira regular. Conseguiu explorar bem o lado direito até os 20 minutos. Quase sempre após vencer ''segundas bolas'' pelo meio e utilizar a dobradinha entre Artur e Vitinho, mas sentiu falta de um jogo mais agressivo dentro da intermediária rival. Encaixou na prática um ataque de real perigo, mas a finalização não chegou ao gol de Brazão.
Alex Telles e Vitinho buscavam dar amplitude ao time na maioria dos ataques. Allan e Artur trabalhavam entre zagueiros e laterais adversários. Savarino não conseguiu encontrar espaços para receber a bola e encaixar as conexões. Gregore e Marlon Freitas ganharam alguns duelos importantes e tentaram colocar o time no campo de ataque, mas a posse acabou sendo infértil.
O time sentiu muito a falta de uma referência ofensiva mais física e talentosa. Rwan Cruz passa longe de entregar algo próximo da influência de Igor Jesus como centroavante. Encontrou dificuldades ao receber de costas para Zé Ivaldo e João Basso. Perdeu praticamente todos os embates.
Rwan Cruz, do Botafogo, contra o Santos
Vítor Silva/Botafogo
As equipes voltaram sem mexidas para o 2º tempo, mas Rincón sentiu e precisou sair logo aos cinco minutos da etapa complementar. Diego Pituca entrou. A intensidade da marcação santista teve uma queda depois do intervalo, e o Botafogo conseguiu ter um pouco mais de tranquilidade para aproximar as peças no campo de ataque. A partida ficou aberta e o Santos seguiu perigoso.
Só não abriu o placar por conta da ótima ação defensiva de David Ricardo, que impediu um gol de Guilherme após bom cruzamento de Souza e a ajeitada de Barreal. Renato Paiva tirou Rwan Cruz e Allan, que pouco acrescentaram ofensivamente, para as entradas de Santi Rodriguez e Nathan Fernandes.
O Santos alternou mais o lado de ataque. Barreal e Rollheiser se encontraram pela direita e construíram jogada que esbarrou na ótima defesa de John. Pituca entrou bem. Conseguiu fazer desarmes que iniciaram contragolpes e simplificou a distribuição. O Glorioso tentou adiantar a marcação, mas não teve organização para isso e correu o risco mais uma vez em ataque finalizado por Guilherme.
O gol do Peixe parecia maduro, mas um balde de água fria caiu sobre a equipe aos 30 minutos. John deu rebote para a pequena área em cruzamento rasteiro de Rollheiser e Neymar marcou com um toque intencional de mão. Foi corretamente expulso ao receber o segundo amarelo.
Neymar expulso em Santos x Botafogo
Jota Erre/AGIF
Com um homem a mais, o Glorioso assumiu as rédeas do jogo e empurrou o Santos para trás. A esta altura o time carioca já tinha Elias Manoel, Mateo Ponte e Mastriani em campo. A pressão não demorou a surtir efeito. Artur cruzou fechado da direita um rebote de escanteio e a bola entrou no canto direito de Brazão.
Nem mesmo as entradas de Tiquinho Soares e Deivid Washington perto dos acréscimos fizeram o Santos ter poder de reação. O Botafogo teve o mérito de impedir gols dos anfitriões quando era dominado, principalmente em intervenções de John e David Ricardo, e foi mais preciso na hora certa.

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