Pode não parecer, mas sua chegada representa uma grande mudança cultural no clube Xabi Alonso: "Muito contente de começar essa nova etapa"
Xabi Alonso será mais um dos ex-jogadores do Real Madrid a treinar a equipe principal, a exemplo de Zidane, Solari, Bernd Schuster e tantos outros.
Mas sua escolha revela algo muito maior: é uma ruptura significativa na forma como o Real Madrid venceu seus últimos títulos e uma materialização concreta de um antigo sonho de Florentino Pérez, que fracassou nas apostas anteriores em Julen Lopetegui e Rafael Benítez: ter um "jeito Real Madrid" de jogar que consiga ser, ao mesmo tempo, característico e dependente de seus jogadores.
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Xabi Alonso é apresentado no Real Madrid
Reprodução/Real Madrid
Isso porque Xabi aposta num modelo no qual o funcionamento coletivo está acima das iniciativas individuais, um contraste marcante em relação à escola Ancelotti-Zidane, centrada na gestão de talentos e na liberdade criativa das estrelas.
Na Real Sociedad B e no Bayer Leverkusen, onde Xabi passou os últimos três anos e conquistou o Campeonato Alemão com cinco rodadas de antecedência, além de chegar à final da Liga Europa, suas equipes se pautaram na pressão alta e nos contra-ataques agressivos. No Bayer, ele utilizou predominantemente o 3-4-3, com a defesa se estruturando frequentemente num 5-4-1.
O 5-4-1 do Bayer na temporada
Reprodução
No meio-campo do Leverkusen, Granit Xhaka foi o pensador, o responsável por organizar a posse e controlar o ritmo. Sem Modric, Alonso terá a missão de desenvolver Tchouaméni e Camavinga nesse papel de referência na saída de bola, ou ainda recuar Bellingham para assumir essa função de articulador, algo que pode transformar a dinâmica do setor.
Xhaka: pensador do jogo no Bayer
Reprodução
O ataque do Bayer era construído com alas bem abertos e um centroavante mais fixo. No Real Madrid, Alonso precisará adaptar esse sistema para acomodar as características de Vinicius Jr. e Mbappé, que atuam partindo das pontas com liberdade, além de encontrar espaço para Rodrygo, outro jogador fundamental no elenco.
O retorno de Alonso ao Real Madrid ganha ainda mais peso quando se considera sua trajetória como jogador: formado na Real Sociedad, brilhou no Liverpool de Rafa Benítez, conquistando a Liga dos Campeões com um gol na final de 2005, além de outros três títulos.
No Real Madrid, levantou mais uma Champions, uma liga espanhola e duas Copas do Rei, antes de encerrar a carreira no Bayern de Munique com três Bundesligas.
Xabi Alonso, técnico do Bayer Leverkusen
Twitter/Bayer Leverkusen
Não existem dúvidas sobre a competência de Alonso como treinador, mas sim se o tamanho do desafio casa com sua experiência e principalmente se o elenco vai aderir às suas ideias.
Estrelas como Vinicius Jr. e Mbappé terão de se engajar mais na fase defensiva, pressionar, recompor e integrar-se a um sistema onde a coesão se sobrepõe ao improviso. Reforços virão: um zagueiro, um meio-campista e um lateral-esquerdo são vistos como prioridades, e Trent Alexander-Arnold chegou como rei da lateral direita.
Historicamente, técnicos mais sistemáticos não obtiveram sucesso no Bernabéu: Benítez e Lopetegui falharam, enquanto os gestores de grupo como Zidane tiveram muito sucesso.
Uma transformação cultural e tanto para um jogador identificado e que já provou ser bom treinador.
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