Paris Saint-Germain e Real Madrid têm a maior e a terceira maior resistências defensivas; o Fluminense, a quarta maior, e o Chelsea, a 16ª. Está aí a chave para chegar à final da Copa do Mundo de Clubes Marcello Neves traz atualizações da preparação para a semifinal da Copa do Mundo de Clubes
Alguns dos mais criativos talentos ofensivos que o dinheiro pode contratar se apresentam nas semifinais da primeira Copa do Mundo de Clubes, mas o segredo do sucesso está nas defesas mais resistentes a pressões. Três das quatro maiores resistências defensivas da competição estão entre os quatro semifinalistas.
De um lado, Paris Saint-Germain e Real Madrid têm a maior e a terceira maior resistências defensivas; o Fluminense, a quarta maior, e o Chelsea, a 16ª. Está aí a chave para chegar à final da Copa do Mundo de Clubes
Em parceria com o economista Bruno Imaizumi, o Gato Mestre apresenta os potenciais estatísticos de vitória de cada equipe nas semifinais da Copa do Mundo de Clubes.
Favoritismos da 3ª rodada da Copa do Mundo de Clubes
Fluminense x Chelsea
Um confronto economicamente desigual, mas o invicto até aqui na Copa do Mundo de Clubes é o Fluminense. O Chelsea perdeu para o Flamengo (3 a 1), mas o aproveitamento de pontos do Chelsea é maior, com quarto vitórias e uma derrota (80%) contra três vitórias e dois empates do Fluminense (73%).
O Chelsea é uma equipe perigosíssima nos contra-ataques. É a que mais gols fez em contragolpes (cinco) em 13 finalizações (terceira maior marca), 11 delas em jogadas rasteiras. O trunfo defensivo do Fluminense é levar a campo a organização defensiva só que só deixou espaço para quatro dessas finalizações em cinco jogos e, ainda assim, uma delas virou gol do Ulsan.
Contra o Flamengo, o Chelsea não conseguiu fazer qualquer finalização em contra-ataque, mas contra o Palmeiras foram quatro, todas elas com participação de Palmer na pré-assistência (três) ou na assistência (uma). Palmer participou não finalizou nenhum dos 13 contragolpes do Chelsea, mas participou diretamente de sete deles, seja na assistência (duas) ou pré-assistência (cinco). Palmer é o elemento de ligação, com as finalizações sendo feitas via de regra por Enzo Fernández (três), Madueke (três) ou Pedro Neto (quatro).

Curiosamente, apesar de ser tão organizada para contra-atacar, o Chelsea também dá espaços para ser contragolpeada: sofreu 11 dessas finalizações (28ª média entre as 32 equipes) e todos os seus adversários finalizaram dessa forma. A chave para contra-atacar é Chelsea é fazer isso em lançamentos aéreos longos: foi assim que o Flamengo conseguiu três finalizações, o Los Angeles FC, uma e o Espérance, uma.
Benfica e Palmeiras contra-atacaram em jogadas rasteiras, a equipe portuguesa só foi conseguir concluir duas jogadas dessas na prorrogação, e o Palmeiras, uma, aos 30 do segundo tempo. Pelo alto, o Chelsea permitiu cinco finalizações antes dos 15 minutos (duas no primeiro tempo e três no segundo), por baixo, só duas nos primeiros 15 minutos do segundo tempo (sem contar a prorrogação).
Metade das finalizações sofridas pelo Chelsea nasceram em jogadas aéreas. Das 18 finalizações que sofreu após bolas altas, dez foram lançamentos feitos da região do círculo central para trás, bolas longas com força. Mas os gols que sofreu, dois contra o Flamengo, foram em um cruzamento e um escanteio. É difícil levantar a bola perto da área contra o Chelsea e conseguir finalizar.
A virtude do Fluminense até aqui é a resistência defensiva. Tem até aqui a segunda melhor defesa, três gols sofridos e média 0,60, um gol a cada 16,3 conclusões contrárias, a resistência do Fluminense é quarta maior da Copa, e o dobro da do Chelsea, que levou um gol a cada 8,0 conclusões contrárias, 16ª marca entre 32 times. O Chelsea permitiu 40 finalizações aos adversários, média de 8,0 por jogo, a sexta menor da competição, e o Fluminense permitiu 49, média de 9,8 por partida, 11ª marca. O Chelsea sofreu cinco gols, o Fluminense, três.
Aos 10 min do 1º tempo - defesa difícil de Fábio do Fluminense contra o Internazionale
Essa resistência do Fluminense será colocada à prova porque, como seria de se esperar de uma equipe com os investimentos bilionários que recebe, o Chelsea é o quinto time que mais finaliza, com média de 16,4 por partida, enquanto o Fluminense tem a 18ª posição no ranking, com 12,6 arremates por jogo. O Chelsea fez 82 finalizações, e o Fluminense, 63. As eficiências são muito próximas, o Chelsea com um gol a cada 7,5 tentativas (oitava), e o Fluminense com um gol a cada 7,9 (11ª marca). É a produtividade que levou o Chelsea a ter 11 gols marcados (sem contar um contra) enquanto o Fluminense fez oito.
Ofensivamente, o Chelsea tem uma característica discutível: com a quarta maior posse de bola da competição (62,6% contra 45,6% do FLuminense, a 22ª) o Chelsea é o time que mais finalizações fez de fora da área. Foram 33 tentativas, 17 delas da frente da meia-lua. Fez 40% de suas finalizações de fora da área (só três em cobranças de falta direta). Fez dois gols, um em contra-ataque e um em uma falta direta, um gol a cada 16,5 tentativas, enquanto de dentro da área, fez um gol a cada 5,4 chances.
Os perigos do Chelsea, adversário do Fluminense na semifinal da Copa do Mundo de Clubes
A eficiência do Fluminense de dentro da área é ainda melhor, um gol a cada 5,1 tentativas, ainda assim, a equipe arriscou 27 finalizações de fora da área, com um gol marcado por Arias em cobrança de falta, que abriu o placar contra o Ulsan. O Fluminense arriscou 43% de suas finalizações de fora da área. Tomara que faça um monte de gols de longe, mas estrategicamente valeria mais a pena na defesa fechar a frente da sua meia-lua e, no ataque, ter mais paciência na busca por um espaço, o que é muito fácil escrever e nem tão fácil fazer, mas a consciência de uma fraqueza é uma forma de força.
De cada três finalizações do Chelsea, duas nascem em jogadas rasteiras. O mais eficiente em levantar bolas foi Enzo Fernández, com duas assistências aéreas dos três gols marcados após bolas altas. Cada vez que ele levanta a bola, é um perigo real: de cinco finalizações após a bola ser erguida por ele, duas viraram gol, uma defesa difícil e uma defesa normal do goleiro (as duas últimas contra o Palmeiras). Ele se movimenta da direita para a esquerda, mas normalmente manda a bola para dentro da grande área, na frente da pequena área, à esquerda da marca do pênalti. A frente da pequena área é de onde sai metade das finalizações de jogadas aéreas do Chelsea.
Paris Saint-Germain x Real Madrid
Investimentos bilionários em talentos que serão colocados à prova na busca pela final da primeira Copa do Mundo de Clubes: o PSG tem o quinto melhor ataque, com 12 gols e média 2,40, enquanto o Real Madrid tem o sétimo ataque, com 11 gols e média 2,20.
O símbolo desse investimento acaba sendo Kylian Mbappé, parisiense de 26 anos que no ano passado trocou o PSG pelo Real Madrid para ser companheiros de outros talentos como Vinícius Jr., Rodrygo, Bellingham... e que agora vão enfrentar a melhor defesa da Copa do Mundo de Clubes, com um único gol sofrido e média 0,20 por jogo. O Real Madrid tem a quinta melhor defesa, com quatro gols sofridos e média 0,80, sendo dois deles em pênaltis. Não é fácil fazer gol nesses gigantes.
Semifinal entre PSG e Real Madrid marca primeiro reencontro de Mbappé com ex-clube
A solidez defensiva está diretamente ligada ao sucesso das equipes até aqui: o PSG tem a maior resistência defensiva da competição, com um gol sofrido em 35 finalizações contrárias, e o Real Madri, a terceira maior resistência, com um gol sofrido a cada 16,5 conclusões contrárias. Não fossem os dois pênaltis, o Real Madrid teria sofrido um gol a cada 32 finalizações. Curiosamente, entre as duas maiores resistências da competição está a do Botafogo, com um gol sofrido a cada 23,7.
O PSG é favorito por ser o atual campeão da Champions e por só ter sofrido em média sete finalizações por partida na Copa do Mundo, a quarta melhor média. Evidentemente, desta vez enfrentará o maior campeão de todos os tempos, mas que nesta Copa sofreu em média 13,2 finalizações por partida, 19ª marca, o que não necessariamente voltará a acontecer na semifinal: nas oitavas, o Real Madrid só sofreu cinco finalizações da Juventus, menor marca da fase, mas nas quartas, o Borussia Dortmund conseguiu 12 conclusões, cinco certas, todas quando o Real Madrid já tinha vantagem no placar.
A eficiência ofensiva dos dois semifinalistas é semelhante, o PSG com um gol a cada 6,7 tentativas, e o Real com um gol a cada 6,8, quinta e sexta melhores eficiências da competição, tendo o PSG média de 14,8 finalizações por partida (sétima maior), e o Real Madrid, 15,0 por jogo (sexta melhor marca).
Com tamanhas eficiências em campo, a resistência defensiva será a chave da partida. Na vitória por 2 a 0 contra o Bayern, o Paris não conseguiu impedir que o adversário fizesse 13 finalizações, seis delas certas e defendidas.
Aos 7 min do 2º tempo - Coman recebe, chuta e Donnarumma faz a defesa tranquila
Das 74 finalizações feitas pelo Real Madrid em jogadas, 32 nasceram a partir de jogadas aéreas (43%), que resultaram em cinco gols, um a cada 6,4 tentativas. Finalizou mais trocando passes rasteiros, com 42 arremates para seis gols, um a cada 7,0 chances concluídas.
Das 70 finalizações do PSG em jogadas, 27 tiveram origem aérea (39%), para três gols, um a cada 9,0 tentativas. Foram 43 finalizações em trocas de passes rasteiros para sete gols, um a cada 6,1 chances.
Em números redondos, o Real Madrid é 50% mais eficiente que o PSG quando finaliza uma jogada aérea, e o PSG, 20% mais eficiente no jogo rasteiro.
Aos 15 min do 2º tempo - defesa de Courtois do Real Madrid contra o Borussia Dortmund
O desafio para o Real Madrid será transformar essa eficiência aérea em gols porque das 33 finalizações sofridas pelo PSG, 14 nasceram em jogadas aéreas (42%), mas nenhuma virou gol, no máximo cinco defesas, apenas uma difícil. O PSG permitiu 19 finalizações rasteiras, que viraram um gol e mais oito defesas, um delas difícil.
A equipe espanhola sofreu quase o dobro de finalizações em jogadas. Foram 62, sendo 23 a partir de jogadas aéreas (37%), que viraram apenas um gol e mais sete defesas, três difíceis.
Foi exatamente onde o Paris é mais eficiente que o Real Madrid foi mais ameaçado, com 39 finalizações em trocas de passes rasteiros, mas que também só viraram um gol, além de 13 defesas, uma difícil.
Desempenho do modelo
Nas quartas de final, três dos quarto times apontados como favoritos (75%) venceram seus jogos. Com isso, Favoritismos melhorou seu desempenho geral na Copa do Mundo de Clubes para 65%. Na fase de grupos, as equipes apontadas como favoritas pelo Favoritismos venceram 30 das 48 partidas, um índice de 62,5%, nas oitavas, foram seis acertos em oito jogos (75%).
Foram analisados os 30 resultados anteriores de cada uma das equipes, ponderando com peso maior os jogos fora de casa, considerando o fator casa para os times dos Estados Unidos (Inter Miami, Los Angeles FC e Seattle Sounders) e o valor aproximado de mercado dos atletas, o que tem peso significativamente maior. Foram considerados os desempenhos das defesas e dos ataques em cada partida.
Regulamento
Nesta fase, se classifica o vencedor do confronto. Em caso de empate, há prorrogação e, se necessário, pênaltis.
Metodologia
O modelo empregado nas análises segue uma distribuição estatística chamada Poisson Bivariada, que calcula as probabilidades de eventos (no caso, os gols de cada equipe) acontecerem dentro de um certo intervalo de tempo (o jogo). Para chegar às previsões sobre as chances de cada time terminar a primeira fase da Copa em cada posição foi empregado o método de Monte Carlo, que basicamente se baseia em simulações para gerar resultados. O estudo foi desenvolvido a partir de dados de diversas fontes, como Globo, ogol e Transfermarkt.
- Campeonatos de pontos corridos, como o Brasileirão, são mais fáceis de prever porque a influência do acaso tende a ser diluída entre as várias rodadas. Em Copas do Mundo, a tarefa é mais difícil, já que o acaso tem peso maior, e os times só podem reverter um tropeço na primeira fase. As estruturas das chaves também serão bastante decisivas para a competição, já que podemos ver duelos entre os times considerados favoritos nas próximas fases - ressaltou o economista Bruno Imaizumi.
*O Gato Mestre é formado pelos jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Guilherme Giavoni, Guilherme Maniaudet, Guilherme Marçal, Gustavo Figueiredo, Ingrid Fernandes (estagiária), Leandro Silva, Roberto Maleson, Roberto Teixeira, Rodrigo Breves e Valmir Storti, pelos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e pelo programador Gusthavo Macedo.

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