Pelas sombras, pelas beiradas, time mineiro mostra qualidade para brigar pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro Cruzeiro 4 x 1 Grêmio | Melhores momentos | Brasileirão 2025
Na noite deste domingo, logo depois de comandar a equipe de melhor atuação na rodada de retomada do Campeonato Brasileiro, o técnico Leonardo Jardim afirmou:
– O Cruzeiro (desta temporada) não foi feito para ser campeão. Foi feito para chegar à Libertadores.
Quem assistiu à vitória de 4 a 1 sobre o Grêmio ficará tentado a discordar do treinador. O jogo mostrou que o Cruzeiro voltou ainda melhor da pausa para a realização da Copa do Mundo de Clubes. E que começa a se credenciar para a disputa do título nacional.
Chamam atenção o repertório de jogadas, a naturalidade ofensiva e a alta competitividade do Cruzeiro – uma combinação difícil de ser encontrada. O time joga e briga. No segundo gol da vitória sobre o Grêmio, houve três disputas de bola sequenciais, e os jogadores da equipe mineira chegaram mais inteiros em todas elas.
As combinações de jogadas entre Matheus Pereira e Kaio Jorge são aquilo que o Cruzeiro tem de melhor. O atacante marcou três vezes contra o Grêmio – em duas delas, com assistências do camisa 10. Mas a fluência de jogo envolve muito mais gente.
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Kaio Jorge comemora gol do Cruzeiro
Gilson Lobo/AGIF
O time de Leonardo Jardim constrói seu jogo com alta participação dos volantes e presença oportuna dos laterais. É uma arquitetura realmente coletiva – e feita com agilidade, muitas vezes prescindindo da posse, como aconteceu no jogo deste domingo, em que o adversário teve a bola mais tempo.
O bom futebol do Cruzeiro vai decifrando um dos maiores enigmas desta temporada: até onde poderia ir um clube que investiu pesado em contratações arriscadas? Curiosamente, a equipe ganha forma sem os medalhões que movimentaram o mercado: Dudu foi parar no Atlético-MG, Gabigol é reserva, Fagner idem.
Em março, o dono da SAF do Cruzeiro, o empresário Pedro Lourenço, já admitia que o clube havia errado muito nas contratações. Houve tempo para corrigir a rota, especialmente com a escolha de Leonardo Jardim para substituir Fernando Diniz, que não deu certo em Belo Horizonte. E essa evolução passa por nomes que já estavam no clube – Lucas Romero, Matheus Pereira, Kaio Jorge.
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Pelas sombras, pelas beiradas, camuflado, o Cruzeiro chegou à vice-liderança do Campeonato Brasileiro, com os mesmos 27 pontos do Flamengo – que tem um jogo a menos. O discurso de que a disputa é por vaga na Libertadores, não pelo título, é repetido pela diretoria, e aí está uma evidente estratégia: chamar a atenção para quê?
Mas o disfarce de coadjuvante não é dos mais discretos. Antes da pausa, o Cruzeiro já havia mostrado força ao vencer Palmeiras e Flamengo, dois grandes candidatos a conquistar o Brasileirão. Agora são oito jogos de invencibilidade no campeonato, com seis vitórias e dois empates no período.
Jogadores do Cruzeiro comemoram gol
Gilson Lobo/ AGIF
As próximas rodadas darão uma noção melhor sobre as possibilidades do Cruzeiro – apenas um terço do campeonato ficou para trás; é cedo. Leonardo Jardim cita os clubes que disputaram a Copa do Mundo como “equipes mais avançadas” do que a sua. Ele tem razão, mas elas parecem dar brechas: o Palmeiras oscila mais do que o normal, o Flamengo perde Gerson e vive turbulência com Pedro, o Botafogo troca de treinador, e todas elas precisarão dividir atenções com a Libertadores.
Dos brasileiros, quem se deu melhor no Mundial foi o Fluminense, justamente o próximo adversário da Raposa – quinta-feira, no Maracanã. Será um jogo duro, mais um daqueles que ajudam a dimensionar quem brigará por título e quem precisará se contentar com vaga na Libertadores.
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