Oscilar brevemente em algum momento da temporada é algo totalmente natural no calendário brasileiro. O Cruzeiro passou por isso nos últimos jogos, mas retomou o seu nível habitual na tarde deste domingo, no Nilton Santos. Foi muito superior ao Botafogo na 1ª etapa, abriu 2x0 no placar, e sustentou o resultado com a melhora adversária na sequência.
Mesmo sem vencer, a Raposa teve bons momentos diante de CRB, Corinthians e Ceará, mas não os manteve por tantos minutos nos diferentes desafios dessas partidas. O trabalho, no entanto, estava nítido, e pôde ser melhor desenvolvido hoje. O Glorioso, que vem em evolução com o novo projeto, não conseguiu ser tão competitivo no 1º tempo. Cresceu com Cuiabano em campo na 2ª etapa.
Matheus Pereira, Christian, Kaio Jorge, Fabricio Bruno e Villalba foram os principais destaques dos mineiros, que venceram seis dos outros sete outro clubes que ocupam atualmente o G-8 do Brasileirão. Só o Bragantino bateu a Raposa entre os times desse grupo. O Botafogo não perdia como mandante na principal competição nacional desde o ano passado, para o próprio Cruzeiro.
Escalações
Davide Ancelotti escalou o seu time-base deste início de trabalho. Allan foi o volante ao lado de Marlon Freitas. Alex Freitas voltou a lateral-esquerda. Leonardo Jardim teve o desfalque de Fágner. William foi o lateral-direito. O restante da equipe também foi o que há de melhor para o comandante da Raposa. Wanderson e Christian foram os homens de lado de campo.
Como Botafogo e Cruzeiro iniciaram o duelo válido pela 18ª rodada do Brasileirão 2025
Rodrigo Coutinho
O jogo
O Cruzeiro não se intimidou nem um pouco com o Nilton Santos repleto de alvinegros e colocou rapidamente em prática a sua proposta de jogo. Buscou a posse para gerar perigo e controle sobre o Botafogo, mas não deixou de ser altamente competitivo sem a bola. Esta, aliás, foi a maior diferença entre as equipes no 1º tempo. O Glorioso deixou a desejar em alguns aspectos defensivos.
A compactação é um desses aspectos. Sempre que tentou subir o bloco de marcação, cedeu lacunas importantes às costas do meio-campo. Não houve tanta coordenação para impedir que a Raposa saísse sem tantos problemas desses movimentos. Seja em um passe longo ou médio de Villalba, ou após trocas de passe laterais para que um dos laterais recebesse aberto e progredisse.
Aos quatro minutos de jogo, Kaio Jorge já tinha finalizado um ataque de saída de pressão do Cruzeiro. Os mineiros pressionavam com mais solidez, ajuste, e isso afetou demais a construção ofensiva dos donos da casa. As únicas jogadas relevantes vieram em chutes de Alex Telles de fora da área. Montoro e Savarino encaixaram alguns dribles e bons passes, mas as conexões não apareciam.
Artur ainda tentou cavar um pênalti logo após o primeiro gol do Cruzeiro. Matheus Candançan chegou a marcar dentro de campo, mas se corrigiu após consulta ao VAR. Se impondo com e sem a bola, os visitantes construíram um 2x0 com certa tranquilidade antes do intervalo, e estiveram mais perto do terceiro do que de levar um gol.
John não defende, e Christian marca para o Cruzeiro contra o Botafogo
André Durão
Christian foi um dos grandes destaques celestes. Saiu da direita para a área em diversos ataques. Completou o cruzamento de Kaiki para abrir o placar aos 22 minutos. Finalizou outras três vezes só na 1ª etapa.
Wanderson, o outro ''ponta'', fez movimentos parecidos quando o time se instalava no ataque, e ainda iniciou a jogada do primeiro gol. Se aproveitou da precipitação de John ao repor a bola, e roubou de Allan antes de tocar a Matheus Pereira. O camisa 10, além de participar do primeiro tento, flutuar nas costas de Allan e Marlon, e ajudar bastante nas pressões de saída de bola, ampliou o marcador.
Acompanhou o impressionante contragolpe puxado por Kaio Jorge pela direita. O atacante correu mais de 70 metros, deixou Barboza, Marlon Freitas e Kaio para trás, e cruzou rasteiro para Pereira marcar. Cabe elogios também às duplas de zaga e de volantes. Não permitiram espaços para finalizações centrais. Venceram duelos e fizeram a bola andar. 1º tempo de manual da Raposa.
botafogo, cruzeiro
André Durão
Kaio Pantaleão, inseguro no 1º tempo, saiu no intervalo ao sentir a posterior da coxa. David Ricardo entrou. Dois canhotos no miolo de zaga. Barboza passou ao lado direito da dupla. O Botafogo tentou pressionar logo no início da 2ª etapa. Artur chegou a levar perigo em uma bicicleta emendada dentro da área. Mas a construção do time era prejudicada pela tarde de infelicidade técnica dos volantes.
Marlon Freitas e Allan erraram muito mais que o costume. Fruto da boa marcação cruzeirense também, além da desconexão entre as peças alvinegras. A Raposa incomodava em contragolpes com esse cenário. Ancelotti fez mais três mexidas antes dos 15 minutos. Artur, Alex Telles e Allan cederam vagas a Correa, Cuiabano e Newton.
O time reagiu bem. Cuiabano ofereceu a agressividade costumeira pela esquerda e fez três boas jogadas em menos de dez minutos em campo. Cássio começou a trabalhar. Pegou uma cabeçada perigosa de Barboza na sequência. Savarino acertou a trave esquerda em lançamento do lateral. O volume alvinegro aumentou e acendeu o sinal de alerta para Leonardo Jardim.
Barboza, do Botafogo, e Kaio Jorge, do Cruzeiro
Vitor Silva/Botafogo
Marquinhos entrou no lugar de Wanderson. Danilo estreou no Botafogo e foi discreto. Marlon Freitas saiu. O ímpeto alvinegro arrefeceu. O time voltou a errar bastante e o Cruzeiro se restabeleceu em campo. Matheus Pereira pôde desfilar o seu imenso talento também na 2ª etapa. Somou boas ações em contragolpes.
Villalba e Fabricio Bruno anularam Arthur Cabral, que chegou a ser timidamente apupado pela torcida. Com o jogo controlado novamente, Jardim só voltou a fazer trocas nos últimos minutos. Christian, Matheus Pereira e Kaio Jorge foram substituídos por Matheus Henrique, Eduardo e Lautaro Diaz.
O Alvinegro ainda teve um último suspiro em finalização de Arthur Cabral nos acréscimos, mas Fabricio Bruno voltou a impedir algo de relevante do centroavante. O resultado da partida não se alterou.

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