Inflamação do músculo do coração apareceu em exames pré-temporada do jogador do Fluminense Causa do afastamento de Ganso das atividades físicas no Fluminense, a miocardite é uma inflamação do miocárdio, o músculo do coração, provocada por uma série de diferentes causas e que exige cuidados, mas pode não ter repercussões graves, se adequadamente tratada.
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Miocardite
— Miocardite é toda e qualquer inflamação do músculo cardíaco, sendo mais comumente causada por vírus, mas também podendo ser originada por bactérias, protozoários, fungos e drogas legais e ilegais — explica o médico cardiologista Nabil Ghorayeb.
— O coração tem duas pilhas: a principal, que é o nó sinusal, e o nó juncional. Eles dão os estímulos para o coração bater. A miocardite, no entanto, cria uma série de outros pequenos focos elétricos, pequenas pilhas que começam a disparar impulsos elétricos e levam ao mau funcionamento, com arritmias.
Segundo o médico, a explicação para a prevalência de miocardites em atletas está em várias pesquisas que indicam que o excesso de treinos diminui a imunidade.
Além disso, viroses exigem repouso, o que atletas raramente fazem. Com isso, abre-se uma porta para que viroses evoluam para miocardites. Afinal, em cerca de 7% a 13% das pessoas infectadas, o vírus pode se instalar nas células do miocárdio, e isso é facilitado pela baixa imunidade.
— Muitas vezes, pode haver ainda a inflamação no pericárdio, membrana que envolve o coração, provocando a pericardite junto - acrescenta Nabil, esclarecendo que o diagnóstico de miocardite nem sempre é uma sentença de fim de carreira para um atleta.
— Muitos voltam ao esporte, até mesmo alguns dos que permaneceram com sequelas leves, como arritmias.
Miocardite causa dores no peito, arritmias e falta de ar, entre outros sintomas
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Causas
Vírus - Coxsackie, H1N1, ecovírus, Epstein-Barr, citomegalovírus, HIV, influenza A e B, hepatite B e C, sarampo, catapora (varicela), rubéola, dengue, caxumba, adenovírus, herpes, parvovírus e outros.
Bactérias - Pneumococos, meningococos, difteria, sífilis, haemophilus, chlamydia, leptospirose etc.
Fungos - Aspergilosis, histoplasmose, cândida e outros.
Protozoários - Doença de Chagas, toxoplasmose, leishmaniose e malária.
Drogas - cocaína, álcool, ciclofosfamida, arsênico, antraciclina, antibióticos, lítio etc.
Outros fatores - Picadas de insetos, picada de cobra, radiação, doenças sistêmicas.
Fator facilitador
Baixa imunidade, que pode ter diversas causas, inclusive o excesso de exercícios físicos.
Sintomas
Dores no peito
Arritmia cardíaca
Falta de ar
Febre
Fraqueza geral
Insuficiência cardíaca
Evolução
Cura sem deixar sequelas - Com tratamento medicamentoso, 35% dos casos se curam totalmente.
Cura com sequelas - 60% dos doentes de miocardite deixam sequelas em menor ou maior grau, especialmente insuficiência cardíaca e arritmias, podendo resultar em uma doença crônica do coração.
Morte - É raro. Mas cerca de 5% dos acometidos por miocardite morrem em poucos dias por insuficiência cardíaca aguda e arritmias graves.
Exames
Ecocardiograma.
Ressonância magnética do coração.
Exames marcadores de vírus (para identificar a causa).
Eletrocardiograma.
Cintilografia do miocárdio.
Raio-X de tórax.
Exame de sangue para detecção de enzimas cardíacas.
Biópsia de endomiocárdica, se necessário.
Prevenção
Recomenda-se tomar a vacina da gripe anualmente e manter todo o resto do calendário de vacinação em dia. Como as viroses são a maior causa da miocardite, evitá-las é o melhor jeito de prevenir a doença.
No caso de atletas, parar os treinos durante viroses e outras doenças e diminuir o ritmo nas semanas posteriores.
Tratamentos
Remédios para tratar os sintomas, como analgésicos e remédios para arritmia.
Repouso.
Ablação, se necessário.
Implante de desfibrilador, se necessário.
O que é ablação?
É um procedimento para tratar arritmias, um estudo eletrofisiológico com o uso de quatro cateteres com um adaptador de radiofrequência na ponta. Os cateteres procuram focos de energia elétrica no coração e, com impulsos de radiofrequência, cauterizam esses focos. Biro Biro, por exemplo, fez uma ablação no ano passado para tratar o problema. Ainda se investiga se o novo mal-estar do atacante é consequência da doença e será necessária nova ablação
- Cerca de 50% das ablações dão certo. As outras não dão por uma série de motivos: o cateter não consegue chegar ao ponto que precisa cauterizar ou esse ponto é muito próximo de partes delicadas do coração, por exemplo - explica Nabil.
Implante de desfibrilador
É a colocação de um marca-passo com um desfibrilador, que dá choques internos quando uma arritmia se inicia. Na Europa, há 473 atletas em atividade que usam esse aparelho, segundo Nabil Ghorayeb.
- O aparelho dispara quando a frequência cardíaca sobre. Por isso, precisa ser muito bem ajustado individualmente. Principalmente em casos de atletas, que, pela natureza de suas atividades, têm uma alta natural da frequência cardíaca devido ao esforço - avalia o cardiologista.
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