Jayden Daniels, grande nome do Washington Commanders, trabalha com software que reproduz jogadas e estádios em velocidade de até 1.75x Para um quarterback novato na NFL, a velocidade do futebol americano profissional, mais alta que o jogo universitário, costuma exigir um tempo de adaptação. É raro que um jogador da posição chegue longe com sua equipe em sua temporada de estreia. Tão raro que Jayden Daniels, favorito ao prêmio de Novato Ofensivo do Ano, se tornou apenas o quarto quarterback calouro a vencer múltiplos jogos de playoff na sua primeira temporada, ao liderar a "zebra" Washington Commanders à final da Conferência Nacional (NFC) com vitórias sobre o Tampa Bay Buccaneers e o Detroit Lions.
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Este tempo de adaptação, segundo o próprio Daniels e seus treinadores, foi encurtado graças à decisão do jogador e da equipe de abraçar a tecnologia disponível para ganhar uma vantagem. O quarterback adotou um método inovador para se preparar para cada partida: diariamente, às 6h da manhã, usa um dispositivo de realidade virtual (VR, na sigla em inglês) com simulações dos adversários da semana para treinar.
Não se trata de um simples jogo de futebol americano de videogame. O software desenvolvido pela companhia alemã Cognilize tem a capacidade de reproduzir os estádios onde os Commanders vão jogar e carrega os esquemas táticos dos adversários e suas variações.
Jayden Daniels comemora a vitória do Washington Commanders sobre o Tampa Bay Buccaneers
USA TODAY Sports via Reuters Connect
- É como a vida real. Eles colocam o estádio em que você está jogando. Eu entro lá e eles provavelmente me dão sete segundos pra saber a jogada. Antes do snap, eu basicamente preciso ver a cobertura (da defesa) e saber onde eu vou com a bola antes do relógio de jogada estourar - contou Daniels ao programa "All Facts No Brakes", do canal de TV americano "FS1".
A intenção é dar ao jogador a capacidade de fazer mais repetições sem se expor aos riscos de um treino na vida real, onde o risco de lesão é aumentado. Para aumentar o nível de dificuldade, Daniels usa as simulações em velocidade 1.75x, configuração mais alta possível do software.
- O jogo se move mais rápido dentro do VR do que os seres humanos reais. Uma vez que você chega (no jogo), tudo fica mais lento. Eu sei o que está vindo. Eu já vi isso antes, e se movia mais de 20 vezes mais rápido no VR - declarou o novato em entrevista ao site "The Athletic" em outubro.
Jayden Daniels, do Washington Commanders, comemora a vitória do time sobre o Detroit Lions
Jorge Lemus/NurPhoto via Getty Images
O quarterback foi apresentado ao programa logo antes de seu último ano na universidade LSU. Àquela altura, ele jamais havia ultrapassado as barreiras das 3.000 jardas aéreas e 17 touchdowns numa temporada e era projetado como uma escolha de meio para final do draft (recrutamento universitário) da NFL em 2024. Após iniciar o trabalho com realidade virtual, Daniels saltou de nível e produziu 3.812 jardas passadas e 40 passes para touchdowns, com apenas quatro interceptações.
Um momento chave naquela temporada veio antes de um confronto importante contra a universidade da Flórida. Daniels sofreu uma concussão num treino no início da semana e não podia ir a campo enquanto não fosse liberado pelo departamento médico. A solução foi usar o VR para se preparar. Deu certo: o quarterback passou para 372 jardas, correu para outras 234 e marcou cinco touchdowns totais na vitória por 52 a 35.
- Foi aí que o VR ajudou muito - afirmou Daniels.
Corrida de Jayden Daniels na vitória dos Commanders sobre Detroit
Nic Antaya/Getty Images
Ao final da temporada, o garoto foi premiado com o Heisman Trophy, dado ao melhor jogador universitário do ano. O Washington Commanders usou a segunda escolha do draft para selecionar o quarterback, e o coordenador ofensivo da equipe, Kliff Kingsbury, decidiu adotar o trabalho com realidade virtual após se impressionar com a tecnologia e com a evolução de Daniels. Parte de sua rotina diária se tornou passar até uma hora gravando as chamadas de jogada da semana, que são tocadas para o quarterback durante suas sessões de VR.
- (Pilotos) Não são treinados em aviões reais. Eles usam simuladores de voos. (Jayden) Usa aquele negócio o tempo todo. Ele pode ver nossas leituras e rotas e ouve minha voz. É o mais real que você pode chegar de repetições de jogo, e sua mente não nota a diferença. Sua mente acha que você está jogando mesmo - afirmou Kingsbury ao "The Athletic".
Todo esse trabalho será colocado à prova no próximo domingo, quando os Commanders enfrentam o Philadelphia Eagles na final da NFC. Caso vença, Jayden Daniels se tornará o primeiro quarterback novato na história da NFL a liderar sua equipe ao Super Bowl.
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