Caso conseguisse vencer a Universidad Católica na noite desta quarta-feira, dentro de casa, o Cruzeiro terminaria a 2ª rodada do Grupo D na liderança compartilhada da chave com o Boca Juniors, e seis pontos na frente dos demais concorrentes. Para alcançar a confortável situação, no entanto, seria necessário mostrar mais do que a equipe apresentou na derrota por 2x1 para a Universidad Católica.
A Raposa não deixou de ter agressividade e atitude ofensiva, mas pecou na organização para produzir chances com maior regularidade, além de ter se protegido mal das rápidas transições dos visitantes e da bola parada áerea que rendeu o 1º gol aos chilenos. Exposta no fim, acabou sucumbindo nos acréscimos.
Escalações
Artur Jorge não contou com Fágner. O jovem Kauã Moraes assumiu a lateral-direita. Kaio Jorge seguiu como desfalque e Néyser Villareal foi mantido no centro do ataque. Lucas Silva e Arroyo iniciaram entre os reservas. Matheus Henrique e Wanderson receberam oportunidade de começar entre os titulares. Christian foi deslocado para a ponta-direita. Villalba retornou ao miolo de zaga.
Daniel Garnero optou pelo experiente Eugenio Mena na lateral-esquerda. Não teve L´Hullier, o titular da função. No meio, Cuevas formou um trio com Jhojan Valencia e Zuqui. Palavecino ficou no banco. Gary Medel foi outro desfalque no meio-campo.
Como Cruzeiro e Universidad Católica iniciaram o duelo válido pela 2ª rodada do Grupo D da Libertadores 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Se alguém esperava uma partida amplamente controlada pelo Cruzeiro deve ter se surpreendido quando a bola rolou no Mineirão. A Raposa tomou a iniciativa e foi bem nos primeiros minutos, mas a Universidad Católica não deixou de ser agressiva ao ter a bola. Não ficou postada apenas na defesa, aguardando um erro brasileiro para contra-atacar, e levou vantagem na bola parada aérea.
Gianni fez o gol único da 1ª etapa aos 29 minutos, mas o ''aviso'' já havia sido dado anteriormente. Sempre com o ótimo Zuqui batendo escanteios e faltas próximas da área, os Cruzados buscavam bolas na segunda trave, quase sempre em curva na direção contrária ao gol, tentando pegar alguns de seus homes altos entre o meio da área e a segunda trave. Longe dos homens altos do Cruzeiro.
Se Gianni venceu Matheus Cunha com uma forte cabeçada, o centroavante Zampedri já tinha acertado as duas traves em uma finalização pouco antes do tento. Daniel González também havia levado perigo. Com a vantagem no placar, a Universidad teve mais contragolpes a sua disposição, reflexo do aumento de erros do Cruzeiro ao se aproximar da área, e incomodou desta forma.
Cruzeiro x Universidad Católica
Alessandra Torres/AGIF
O Cruzeiro teve facilidade para chegar nos metros finais do campo inicialmente. Havia pouca pressão na bola no primeiro combate dado pelos chilenos. Gérson recuava e distribuía com qualidade e tranquilidade. Buscou Kauã Moraes e Matheus Pereira como principais alvos. O camisa 10 chegou a finalizar com perigo ainda aos sete minutos.
Depois arrematou de dentro da área em boa trama com Wanderson e Kaiki. Os laterais celestes eram bem agudos, avançavam simultaneamente. Christian e Wanderson flutuavam para o espaço entre laterais e zagueiros da Católica, sempre nas costas do trio de meias adversários. Faltou precisão ao buscar as conexões perto da área e calma a medida que o tempo foi passando.
Kauã Moraes foi um retrato disso. Gerou volume pela direita, mas pouco acerto quando necessário. Outro detalhe desajustado nos donos da casa foram os bloqueios que deveriam ser feitos nas bolas paradas aéreas. Houve pouca atenção para impedir que os principais cabeceadores adversários chegassem nas jogadas.
Kaiki Bruno - Cruzeiro x Universidad Católica, Libertadores
Gustavo Aleixo/Cruzeiro
As transições defensivas também poderiam estar mais organizadas. Com o aumento da intensidade dos duelos e o ganho de confiança dos Cruzados, os contragolpes passaram a ser mais frequentes depois dos 30 minutos. Wanderson e Kauã Moraes foram sacados por Artur Jorge no intervalo. Arroyo e William entraram. Christian foi para a ponta-esquerda.
O Cruzeiro repetiu os erros de grande parte do 1º tempo nos primeiros minutos da 2ª etapa. Tinha uma construção ofensiva confusa, sem conexões regulares, mas o ímpeto e os movimentos eram os mesmos. Isso foi suficiente para conseguir um pênalti antes dos 15 minutos. Kaiki recebeu o passe de Matheus Henrique por elevação e foi acertado no rosto por Montes. Matheus Pereira empatou o jogo!
A temperatura da partida já era quente, vide as muitas entradas duras e cartões amarelos distribuídos pelo confuso árbitro colombiano Carlos Betancur, e ficou fervendo depois do gol cruzeirense. William e Arroyo não conseguiram elevar o nível do Cruzeiro de imediato. Foram encaixar a primeira boa jogada depois da metade do 2º tempo. Neyser Villareal quase virou o jogo ao mandar na trave adversária.
Villareal - Cruzeiro x Universidad Católica, Libertadores
Gustavo Aleixo/Cruzeiro
Lucas Silva foi a terceira cartada de Artur Jorge. Entrou logo depois da parada para reidratação. Matheus Henrique saiu. Christian, um dos melhores em campo, fez Bernedo ao aproveitar uma boa jogada de Villareal pela esquerda. A Universidad Católica seguia muito combativa, mas não conseguia encaixar os mesmos ataques perigosos do 1º tempo.
O gol deu mais clareza de ação ofensiva ao Cruzeiro por alguns minutos, algo que consequentemente reduziu o número de erros. Com o cenário da Católica mais recuada, Chico da Costa foi utilizado para preencher a área na reta final da partida. Neysér Villareal saiu. Na sequência foi a vez de Bruno Rodrigues substituir Christian.
A oscilação cruzeirense voltou a dar as caras, porém, nos instantes finais, quando o time não conseguia sequer a esperada pressão no ''abafa'' que geralmente ocorre em jogos assim. Os chilenos voltaram a se projetar e aumentar o tempo de posse de bola no campo rival.
Jimmy Martinez, um dos que entraram no 2º tempo, aproveitou os cochilos de William e Villalba para dar números finais ao jogo. Entrou livre e concluiu de cabeça o cruzamento de Jhojan Valencia aos 48 minutos. Chamou a atenção a facilidade com o que a Universidad Católica trocou passes ao lado da área antes do cruzamento.

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