São Paulo 1 x 0 Juventude | Melhores momentos | 5ª fase | Copa do Brasil 2026
O casamento entre Roger Machado e o São Paulo já começou dando indícios de que os dias para o divórcio estão contados. Desde antes de sua apresentação, o técnico sofreu forte rejeição da torcida tricolor, como um aviso de que nada além de uma sequência de vitórias, somada a desempenho indiscutível, seria suficiente para que pudesse permanecer no cargo com alguma tranquilidade.
As vaias sofridas pelo técnico ontem, após a vitória por 1 a 0 sobre o Juventude, pela Copa do Brasil, foram especialmente desproporcionais. A reação negativa exagerada desconsiderou totalmente a produção do time: o São Paulo criou o suficiente para golear a equipe gaúcha e praticamente encaminhar a vaga. Ou seja, o trabalho de Roger Machado foi bem-sucedido -- no caso, conseguiu estruturar um time capaz de produzir o suficiente para construir um placar favorável. É o que se pede a qualquer técnico, no fim das contas.
Roger Machado em São Paulo x Juventude
Marcos Ribolli
É claro que Roger Machado pode ser questionado, como qualquer outro técnico, mas ontem a impressão é que nem se Guardiola (ou, melhor, o mestre Telê Santana, cuja morte completava vinte anos) estivesse sentado na casamata o desfecho seria diferente, tamanha a inépcia dos jogadores são-paulinos para converter as chances criadas. Foram duas bolas na trave, um pênalti perdido por Calleri e diversas outras defesas do arqueiro jaconero Pedro Rocha, o melhor em campo.
Falta para o técnico de 51 anos uma conquista de envergadura (até agora, foram cinco estaduais), além de um trabalho de expressão em um centro como São Paulo e Rio de Janeiro, mas Roger é um técnico competente, de extrema inteligência. Sua experiência no comando tricolor poderia ser totalmente diferente, se houvesse chegado em outro momento, com o clube mais estruturado, em um ambiente apaziguado, e não arremessado neste moedor de carne em que se transformou o São Paulo. Nesse contexto, ele se transformou em um alvo fácil para o descontentamento generalizado da torcida, que ontem também protestou contra Rui Costa, diretor executivo.
Veja como foi a entrevista de Roger Machado, do São Paulo, após vitória sobre o Juventude
Desde que seu nome foi cogitado, existe uma rejeição desmedida a Roger Machado. Pode ser pela ausência de títulos ou mesmo uma desaprovação de caráter pessoal, pois é um técnico com posições firmes sobre questões políticas e sociais. Sobretudo, as circunstâncias foram adversas: ele chegou para substituir Hernán Crespo, técnico identificado com o clube que fazia surpreendente campanha no Brasileiro, demitido por entrar em rota de colisão com a diretoria. Roger já chegou precisando pagar a conta por desmandos que extrapolavam a sua função.
Na entrevista coletiva após o jogo contra o Juventude, Roger Machado afirmou que não pretende desistir da empreitada aparentemente inglória que está enfrentando. Mostrou-se respeitoso com a torcida ao mesmo tempo em que manifestou surpresa pela intensidade das vaias recebidas (antes, durante e depois do jogo). Ao seu lado, não havia nenhum dirigente para compartilhar responsabilidades, atrair holofotes ou respaldar seu trabalho, e isso também diz muito sobre o atual ambiente são-paulino, marcado pela incapacidade de atenuar o caos há muito tempo instalado.
Roger Machado sai de campo vaiado na vitória do São Paulo na Copa do Brasil

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