Quem acompanhou com atenção esta Copa sabe que a França era o time a ser batido até aqui na competição. A semifinal, no entanto, reservou um duelo contra a seleção que melhor se comportou diante do imenso talento francês nos últimos anos. A Espanha deu mais uma mostra do seu poderoso coletivo. Aproveitou um erro individual, e a partir daí foi superior. Construiu um justo 2x0.
Até a falha de Digne aos 19' do 1º tempo o jogo era parelho. Yamal foi sagaz no lance que abriu caminho para a segunda final de Copa do Mundo da história da Fúria. Além da capacidade de controlar com a bola e ditar o ritmo da partida em determinados momentos, os finalistas defenderam muito bem contra um adversário de bastante repertório ofensivo.
Escalações
Didier Deschamps voltou com Barcola na ponta-esquerda. Doué foi para o banco. Tchouaméni retornou ao meio-campo depois de dois jogos fora. Koné foi para a reserva. Já Luis de la Fuente repetiu a equipe que iniciou na vitória sobre a Bélgica. Pedri foi mantido entre os reservas. Fabián Ruiz foi o titular!
Como França e Espanha iniciaram a semifinal da Copa do Mundo 2026
Rodrigo Coutinho
O jogo
Em um jogo tão parelho e repleto de jogadores de qualidade, qualquer erro técnico pode ser fatal. A França percebeu isso em 20 minutos. Digne foi aparar com a cabeça um cruzamento despretensioso de Cucurella, mas perdeu o controle da bola e foi antecipado pelo esperto Lamine Yamal na área. O lateral francês acertou um chute no ponta espanhol e o pênalti foi marcado.
Oyarzabal bateu com extrema precisão no canto esquerdo de Maignan e abriu o placar. O centroavante da Fúria vinha oferecendo bons apoios para a troca de passes de sua seleção. Fazia poucos movimentos em profundidade. Tentava atrair a atenção dos zagueiros para longe da linha defensiva e articular nas costas de Tchouaméni e Rabiot. Dani Olmo se projetava por vezes no centro do ataque.
Pela esquerda, Baena e Cucurella tinham boa dinâmica e entrosamento para combinar alguns passes e variar o espaço em que atacavam. Revezavam entre um ficar mais aberto e o outro atacar a profundidade entre Upamecano e Koundé. A França era um time seguro até levar o gol. E não dava para dizer que havia uma equipe melhor em campo.
França x Espanha - Copa do Mundo - Semifinal
REUTERS/Lee Smith
Maignan posteriormente erraria uma saída de bola que só não acabou em gol pela excelente intervenção de Upamecano à finalização de Fabian Ruiz na pequena área, mas o goleiro francês foi peça importante para encontrar brechas nas pressões que a Espanha tentava fazer. O time produziu dois bons ataques a partir disso.
Olmo marcava os zagueiros com Oyarzabal, Ruiz vigiava um dos volantes, mas Rabiot ou Olise sempre conseguiam se posicionar em uma zona livre atrás dos três. Parecia ser algo calculado pela Fúria. Não individualizar combates pelo campo todo ao subir a marcação. Desta forma preservou as coberturas atrás e a linha de defesa muito bem postada, com os integrantes próximos uns dos outros.
Ela foi importante para impedir que Mbappé saísse na cara de Unai Simón em ótimo contragolpe iniciado pela direita com Dembelé e Olise. O primeiro foi mais regular antes do intervalo. Passou a trabalhar mais por dentro depois do gol sofrido. O segundo viveu altos e baixos e esteve mais fixo pela direita na segunda metade do 1º tempo.
França x Espanha
Reuters
A França tinha algumas dinâmicas interessantes envolvendo o apoio de Koundé pela direita. Revezando zonas de ataque. Aberto ou explorando a profundidade entre Laporte e Cucurella. O lateral chegou a cruzar uma boa bola da linha de fundo, mas Mbappé não a alcançou. O atacante foi muito bem marcado por Cubarsí e Laporte, impecáveis na 1ª etapa. Pedro Porro e Cucurella foram seguros.
Rodri e Fabian Ruiz acrescentaram controle e alguma agressividade em momentos esporádicos. Depois do gol, a França foi um pouco mais permissiva ao combater no campo de defesa. Permitiu que a bola circulasse nas imediações da área com Dani Olmo, Oyarzabal e Ruiz. Isso fez com que a Espanha tivesse um balanço mais positivo ao fim do 1º tempo.
Rabiot era outro com altos e baixos nos Le Bleus. Recebeu um cartão amarelo precoce. Saiu no intervalo para a entrada de Koné. Foi a segunda mexida de Deschamps no jogo. Já havia perdido Saliba, por lesão, na 1ª etapa. Lacroix passou a fazer dupla de zaga com Upamecano.
Saliba sai lesionado em França x Espanha
REUTERS/Agustin Marcarian
O ótimo trabalho defensivo da Espanha manteve-se no 2º tempo. Variava bem a altura do bloco de marcação, mas sempre com concentração e intensidade, protegendo os espaços perto da própria área e impedindo zonas de ataque a Mbappé. Deschamps não demorou a colocar Doué em campo. Barcola saiu aos 11 minutos.
Assim que entrou em campo, Doué deixou de acompanhar Pedro Porro, que tocou para Dani Olmo na referência, recebeu de volta, e bateu na saída de Maignan para ampliar. Defensivamente a França não alcançava o nível de competitividade exigida diante da Espanha, principalmente ao marcar mais atrás.
Os franceses passaram a rondar mais a área depois disso, assustaram com Tchoauméni e Mbappé, mas corriam muitos riscos em contragolpes. Deschamps tirou o irreconhecível Olise. Cherki entrou. Théo Hernández também substituiu Digne na lateral-esquerda. Na Espanha, Pedri, Merino e Ferrán Torres entraram nas vagas de Fabian Ruiz, Dani Olmo e Oyarzábal.
Pouco depois foi a vez de Llorente e Nico Williams serem utilizados. Pedro Porro e Baena descansaram. A França tentou pressionar, mas não achou meios de entrar de forma regular ou finalizar de média distância diante de uma defesa sólida. Sempre que conseguiram algo, Unai Simón esbanjou segurança. A torcida espanhola ainda gritou ''olé'' na troca de passes da Fúria nos acréscimos.
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