Do banco de reservas, Neymar assistiu a eliminação do inoperante Peixe na Neo Química Arena Depois de quatro temporadas sem conseguir disputar uma final de Paulistão, o Corinthians terá a oportunidade de conquistar o trofeu que não ergue desde 2019. Ganha esse direito em momento importante da temporada, pressionado por atuações ruins na Libertadores. A melhora defensiva na vitória por 2x1 sobre o Santos, na noite deste domingo, dá esperança de dias melhores.
O Peixe apresentou produção ofensiva pobre, fruto da ausência de Neymar, mas também de um sistema defensivo reforçado do Corinthians em relação ao que vinha ocorrendo. Nota-se, entretanto, o desevolvimento coletivo insuficiente por parte do time da Vila Belmiro. É perfeitamente natural sentir a ausência de seu camisa 10, mas o time não teve organização para produzir regularmente.
Escalações
Depois de dois jogos, Ramon Diaz voltou a escalar o Corinthians no 4-3-1-2, o famoso losango no meio-campo. Contou com os retornos de Raniele e José Martinez ao setor. Bidon foi para o banco. Na zaga, Félix Torres e Gustavo Henrique foi a dupla escolhida. Angileri foi titular pela primeira vez na lateral-esquerda. Hugo desfalcou a equipe.
Já Pedro Caixinha precisou preservar Neymar, que passou a semana com dores na parte posterior da coxa esquerda. Ele começou no banco. Thaciano ganhou espaço pelo lado direito e Soteldo jogou mais perto de Tiquinho.
Como Corinthians e Santos iniciaram a semifinal do Campeonato Paulista 2025
Rodrigo Coutinho
O jogo
48 minutos de mudanças de cenário e comando na partida. Assim foi a 1ª etapa entre Corinthians e Santos. O time da casa começou melhor. Se aproveitou de um desajuste pelo lado direito da defesa visitante para fazer do argentino Angileri uma peça influente para o funcionamento ofensivo da equipe.
Thaciano fazia movimentos de pressão a Gustavo Henrique, o que acabava obrigando JP Chermont a se distanciar muito da linha defensiva para diminuir o espaço de Angileri com a bola. Não dava tempo. O lateral recém-chegado se aproveitou e mostrou capacidade de passe para achar Memphis Depay na entrada da área, Carrillo em progressão, traçando diagonais do meio para o lado, e Rodrigo Garro.
Pela direita do ataque corintiano, setor mais bem vigiado pelo Santos, José Martinez fazia as tradicionais inversões de posicionamento com Matheuzinho, que mostrou-se muito seguro também na parte defensiva. Ganhou vários duelos com Guilherme, e ainda participou de boas trocas de passe em seu setor.
Por mais que o controle inicial do Timão não tivesse rendido chances claras de gol antes, foi o suficiente para abrir o placar com Yuri Alberto. O atacante se aproveitou de uma tabela em escanteio curto cobrado pela esquerda, Memphis e Garro tramaram a jogada antes do cruzamento perfeito do holandês. JP Chermont vacilou ao tentar deixar Yuri em impedimento no tempo errado.
Yuri Alberto - Corinthians x Santos
Marcos Ribolli
A vantagem para o Corinthians no placar gerou a primeira grande mudança de panorama no jogo. O Santos aumentou seu tempo de posse de bola e tentou se instalar perto da área. Era, no entanto, pouco criativo. Além do já citado bom trabalho de marcação de Matheuzinho em Guilherme, José Martinez e Raniele davam a energia defensiva que faltou ao Timão em duelos recentes.
Conseguiam, juntamente com Carrillo, ter mais mais velocidade no movimento necessário de flutuação à frente da linha de defesa. Vendo sua equipe nula ofensivamente, Pedro Caixinha resolveu mexer na estrutura sem fazer substituições. Abriu Guilherme na direita, Soteldo na esquerda, e centralizou Thaciano. O time não demorou a dar respostas positivas.
Gabriel Bontempo, que já fazia uma boa atuação, cresceu ao conseguir se conectar com Guilherme. Foi o responsável pela primeira boa jogada do Peixe no jogo. Logo depois, Tiquinho Soares se desvencilhou de José Martinez e empatou, ao concluir de cabeça o escanteio cobrado por Guilherme. Félix Torres também foi mal na jogada.
Golpe justo a um Corinthians que fez muito pouco ofensivamente após abrir o placar. Se limitou a trocar passes sem tanta objetividade. Ramon Diaz inverteu os posicionamentos de Carrillo e José Martinez na volta para o 2º tempo. No Peixe, a formatação original foi retomada, com Guilherme pela esquerda, Thaciano a partir do lado direito, e Soteldo centralizado.
Gol do Santos - Corinthians x Santos
Marcos Ribolli
Na volta para a 2ª etapa, um importante personagem do time corintiano apareceu com mais frequência e precisão. Depois de 1º tempo discreto, Rodrigo Garro precisou de dez minutos para bater falta perfeita e logo depois acertar um lindo chute no ângulo direito de Brazão, recolocando o Timão na frente no placar. O goleiro santista fez milagre na primeira finalização, mas não pôde deter a segunda.
O gol premiou também um Corinthians que voltou tentando retomar o protagonismo da partida. Memphis, Angileri, Martinez e Raniele somaram boas ações no campo de ataque logo nos primeiros minutos de etapa complementar. Caixinha não demorou a sacar Gabriel Bontempo e Thaciano. Colocou Barreal e Rollheiser em campo. Soteldo seguiu centralizado.
Breno Bidon e Matheus Bidu foram as primeiras cartadas de Ramon Diaz. Carrillo e Angileri - um dos melhores em campo - foram sacados. Mesmo tentando pressionar e voltar a jogar mais tempo dentro da intermediária oponente, o Santos não conseguiu ter fluência ofensiva, conexão entre as peças. Mostrou-se um time muitas vezes sem ideia do que fazer para envolver o Corinthians.
Cedeu espaços para ataques rápidos dos donos da casa. Memphis quase marcou da entrada da área ao tabelar com Breno Bidon. Na sequência, Zé Ivaldo foi expulso por entrada criminosa em Yuri Alberto. Escobar recebeu um cartão da mesma cor já nos acréscimos. Desfecho melancólico de uma campanha irregular, mas justo pelo que o time deixou de apresentar sem Neymar em campo.

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