9 min de leitura A Parábola do Espinheiro – O Fruto dos Servos Legítimos e o Engano dos Falsos Profetas 23/07/2025
Versículos
Juízes 9:8–15
Mateus 7:15–20
João 15:8
Saudamos a todos com a paz do Senhor e queremos, neste momento, glorificarmos ao Senhor porque temos a experiência gloriosa e gostaríamos de convidá-lo a viver também a mesma experiência — ou até maior — com o gozo da comunhão, a alegria do Espírito e, sobretudo, a paz que só a Palavra de Deus pode proporcionar.
0:45
Queremos saudar o pastor Marcos Adames, que tem estado conosco desde o princípio, com a paz do Senhor Jesus.
0:52
— Paz do Senhor, pastor Marcelo, paz do Senhor a todos. Estamos aqui dando continuidade a esse programa que realmente tem sido edificante e uma grande alegria para as nossas vidas.
1:03
— Bem, pastor Marcos, o texto para a nossa meditação está em Juízes, capítulo 9, versos de 8 a 15, que diz assim:
1:12
“Foram umas árvores a ungir para si um rei e disseram à oliveira:
‘Reina tu sobre nós’.
Porém a oliveira lhes disse: ‘Deixaria eu a minha gordura, que Deus e os homens em mim prezam, e iria labutar sobre as árvores?’
Então disseram as árvores à figueira:
‘Vem tu e reina sobre nós’.
Porém a figueira lhes disse: ‘Deixaria eu a minha doçura, o meu bom fruto, e iria labutar sobre as árvores?’
Então disseram as árvores à videira:
‘Vem tu e reina sobre nós’.
Porém a videira lhes disse: ‘Deixaria eu o meu mosto, que alegra a Deus e aos homens, e iria labutar sobre as árvores?’
Então todas as árvores disseram ao espinheiro:
‘Vem tu e reina sobre nós’.
E disse o espinheiro às árvores: ‘Se na verdade me ungis rei sobre vós, vinde e confiai-vos debaixo da minha sombra; mas, se não, saia fogo do espinheiro que consuma os cedros do Líbano’.”
2:38
— Pastor Marcos, a parábola que lemos nos mostra a meditação da parábola do Jotão. E nós queremos fazer uma pequena introdução para melhorar a compreensão do aspecto profético da parábola.
Gideão, servo de Deus, foi usado por Deus para dar livramento ao povo de Israel contra os midianitas. Depois desta vitória, o povo da região que habitava com ele ali chamou Gideão e pediu para que ele reinasse sobre eles. Afinal, Gideão foi usado de grande forma, dando livramento.
E Gideão disse que nem ele nem seus filhos — diga-se de passagem, Gideão tinha 70 filhos, o que era comum naquela ocasião — iriam reinar sobre o povo. Gideão disse isso porque ele entendeu que foi Deus quem lhe usou na batalha. E não só isso, mas também como profeta. Afinal, Deus falou com ele e a força que ele teve não era dele. E com esta postura, ele queria dizer ao povo que, em Israel, havendo um profeta, é Deus quem está reinando. Por isso, disse o que disse.
Gideão morava em Ofra, uma região da tribo de Manassés.
4:17
— Historicamente falando, é isso mesmo, né? Então, Gideão teve um filho — podem até dizer que esse filho era um filho bastardo, não era um filho legítimo — e ele morava naquela região de Efraim, na cidade cujo nome era Siquém. Uma cidade até muito importante de Israel na época.
E diante da palavra de Gideão, de que nem ele nem seus filhos reinariam, Abimeleque então conversou com o povo — isso historicamente falando — e disse que seria melhor que ele reinasse no lugar de Gideão, já que Gideão não queria. Como diz o outro: “quero eu”, né? Pois era o parente mais próximo.
E assim, cada morador de Siquém deu parte de seus pertences, e Abimeleque, com esses recursos, contratou — veja só, Marcelo — contratou homens ímpios para eliminar todos os filhos de Gideão, que eram seus futuros opositores. Era até o costume da época: quando homens sentiam que outros mais seriam opositores deles, iam lá e exterminavam, e matavam — como aconteceu nesse caso.
Porém, o filho mais novo de Gideão escapou. Seu nome era Jotão, que propôs esta parábola que lemos no texto base que o companheiro acabou de ler.
6:14
Na verdade, a parábola narra a ação das árvores que foram escolher um rei dentre elas. E as citadas no texto referem-se ao povo de Deus que estava em espírito. Chamaram a oliveira; esta se escusou. Chamaram a figueira; também se escusou. Da mesma sorte, a videira.
Afinal, cada uma tinha a sua forma de servir a Deus com os seus frutos — alimentos que produziam. Lembrando o figo, um alimento substancial, usado inclusive na medicina, pois curou as chagas de Ezequias.
Temos a oliveira, cujo produto é a azeitona, e o processamento produz o azeite. E também a videira, cujas uvas, ao serem desidratadas, tornavam-se passas usadas por toda a população. E a produção do vinho, que era muito utilizado no acompanhamento de alimentos à mesa — praticamente em todas as refeições. E todas essas árvores se excusaram.
7:32
— Nenhuma delas quis, né? Porém, o que acontece? Um outro foi lá e quis. Então, vamos entender um pouco melhor isso: diante dessa situação, as árvores então procuraram quem? O espinheiro.
E Jotão estava se referindo justamente ao espinheiro como sendo a pessoa de Abimeleque — aquele que se propôs a ser rei, aquele que quis ser rei. Enquanto Gideão não quis e deu uma palavra para que também seus filhos não reinassem.
Interessante que Gideão, pastor Marcelo, era um homem da agropecuária, agropastoril, um homem do campo, um homem muito simples. A palavra “Gideão”, se eu não me engano, significa “lenhador” ou “guerreiro poderoso”.
— Isso mesmo. Então, isso nos faz entender justamente o que é o servo: o servo entende que ele não foi chamado para reinar, mas foi chamado para servir. Ele entendeu que quem é rei na vida dele é o Senhor Jesus. Ele é o nosso Rei da Glória. Então, a renúncia foi por um entendimento de que ele era dependente do Senhor. Um chamado para servir.
— Uma escolha muito sábia. Mas o espinheiro não. O espinheiro vai lá, se coloca à disposição. E esse espinheiro prefigura Abimeleque, o homem que escolheu ser rei no caso ali de Israel. Todas as árvores frutíferas se recusaram. Veio alguém estranho, realizando tudo isso para se fazer rei — que também teve um fim trágico. Ele mesmo profetizou na parábola dizendo: “Que saia fogo do Líbano e consuma”. Ele nem sabia do que estava falando, mas era algo que viria sobre ele, pela escolha que fez. Uma má escolha.
9:51
— Mas eu quero aqui, na verdade, despertar, pastor Marcelo, os servos — ou aos servos — de Deus, a você que está nos acompanhando. Essas árvores que rejeitaram, elas dão frutos, na verdade. E o espinheiro não dá frutos. Isso nos chama atenção para algo mais, né, pastor Marcelo?
10:15
— Verdade. E é interessante, pastor Marcos, que essa colocação nos faz compreender melhor a parábola, porque ela se refere aos profetas como as árvores que dão fruto, e o espinheiro — o falso profeta.
São muitas as comparações que podemos fazer para os servos legítimos, principalmente os que omitem os dons, dando lugar ao espinheiro. Então nós precisamos atentar bastante para nossa posição como servo, para não darmos lugar ao espinheiro, aquele que é indesejável no nosso meio.
Quanto à comparação: você pode alimentar o espinheiro dando vazão às mágoas...
— Uhum...
— O servo não pode dar essa vazão. Rancores. Mas Jotão mostra na parábola o quê, precisamente, Marcos?
11:16
— Vamos lá. O Jotão diz na parábola que os legítimos foram chamados para reinar. Os filhos legítimos. Mas não quiseram, porque tinham outra função. E esta função era agradável a Deus. A intenção deles era agradar a Deus. Mas os que não têm nada — tipo a obra do adversário — pois ele veio para quê? Para roubar, matar e destruir.
Exatamente o que fez Abimeleque: roubou o que não era dele, matou os irmãos — os filhos legítimos de Gideão. Ou seja, a obra do espinheiro, o resultado não é vida, o resultado é morte. E destruiu, causando uma grande destruição em Israel.
12:22
— Marcos, isso é uma grande verdade. Porque o Senhor Jesus fala a respeito dos falsos profetas. O que Ele quis dizer? A árvore boa dá bons frutos. E os frutos são comparados à obra da salvação. São árvores que geram frutos, e esses frutos são vidas que são salvas. A Palavra de Deus diz: “Vades e deis frutos, e nisto será glorificado o meu Pai: que deem frutos.” O espinheiro não dá fruto, não. Mas faz seu discurso e sai destruindo tudo.
Conforme escrito em Mateus 7:15–20, que diz:
“Cuidado com os falsos profetas.
Eles vêm a vocês vestidos de peles de ovelha,
mas por dentro são lobos devoradores.
Vocês os reconhecerão por seus frutos.
Pode alguém colher uva de um espinheiro ou figo de ervas daninhas?
Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons,
mas a árvore ruim dá frutos ruins.
A árvore boa não pode dar frutos ruins,
nem a árvore ruim pode dar frutos bons.
Toda árvore que não produz bons frutos
é cortada e lançada no fogo.
Sim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão.”
14:16
— Em resumo: quer conhecer uma pessoa? Olhe os frutos que ela está dando e veja se a obra que ela faz resulta em salvação. Agora, se for o contrário disso, não é boa árvore. Jesus fala essas palavras nos fazendo lembrar da parábola do Jotão.
14:38
— Nosso tempo está se encerrando, Marcos. E assim nos despedimos. A paz do Senhor, pastor Marcos.
— E a você que está conosco. Pastor Marcelo. E até a próxima.