6 min de leitura A Conquista de Jerusalém por Davi e o Significado Espiritual de Sião 13/08/2025
Versículos
2 Samuel 5:6-9; Salmo 110; Josué 10; Juízes 1; Deuteronômio 12:5, 12:11, 26:2; Salmo 87:2-3; João 4:20-24
Glória a Jesus. Após esse período de dedicação e comunhão com o Senhor, estaremos meditando na palavra que será transmitida nesta noite. Convidamos a todos que estiverem com suas Bíblias, podendo também acompanhar na tela o texto que está em 2 Samuel, capítulo 5, versos de 6 a 9.
"E partiu o rei com os seus homens a Jerusalém contra os jebuseus que habitavam naquela terra e que falaram a Davi: 'Não entrarás aqui, a menos que lances fora os cegos e os coxos', querendo dizer: 'Não entrará Davi aqui'. Porém Davi tomou a fortaleza de Sião. Esta é a cidade de Davi. Porque Davi disse naquele dia: 'Qualquer que ferir aos jebuseus e chegar ao canal, e aos coxos e aos cegos que a alma de Davi aborrece, será cabeça e capitão.' Por isso se diz: 'Nem cego nem coxo entrará nesta casa'. Assim habitou Davi na fortaleza e lhe chamou a cidade de Davi. E Davi foi edificando em redor desde Milo até dentro."
Pedimos ao Senhor que nos abençoe com a sua palavra e com sua ministração. Estamos gravando aqui do Maanaim, no Espírito Santo, durante o seminário de louvor. Ontem comentamos uma palavra sobre Jerusalém e hoje pretendemos falar com mais detalhes, pois ontem a mensagem esteve toda voltada ao tema do louvor.
O tema é Jerusalém: como foi conquistada por Davi e como ele chegou até lá.
Jerusalém, no passado, era resumida a uma pequena porção a sudoeste, chamada Sião. Era a cidade dos jebuseus, pertencentes a uma tribo cananeia muito vigorosa militarmente, com grandes conhecimentos e poder de guerra. Eram descendentes de um cananeu chamado Jebus — daí o nome “jebuseus” — e habitaram ali, construindo uma fortaleza.
A palavra “Sião” vem do hebraico tision, que significa “fortaleza”.
O primeiro rei de Israel foi Saul, que colocou a sede do reino em Gibeá, na terra de Benjamim, sua cidade natal. Após a morte de Saul, seu filho Esbosete foi apoiado por Abner e se fortaleceu em Manaim, do outro lado do Jordão, governando o norte de Israel. Já Davi governava o sul, em Judá.
Davi consultou ao Senhor: “Para onde devo ir?” E Deus respondeu: “Vai para Hebrom.” Assim, Davi foi feito rei em Hebrom e ali permaneceu cerca de sete anos. Após a morte de Esbosete, Davi foi constituído rei sobre todo Israel e decidiu marchar contra Jerusalém, então a fortaleza de Sião.
Jerusalém não era cidade dos reis, nem dos patriarcas, nem dos levitas, tampouco cidade de refúgio. Não possuía, à primeira vista, nada que chamasse a atenção. O que chamou a atenção de Davi foi o profético. Ele conhecia a história, especialmente a passagem de Melquisedeque com Abraão (Salmo 110), que dizia:
“Disse o Senhor e não se arrependerá: Tu és sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque.”
Melquisedeque era um tipo de Cristo no Antigo Testamento — sem pai, sem mãe, sem genealogia — e rei de Salém. Davi entendeu que Deus havia escolhido aquele lugar para algo especial.
Os jebuseus, no entanto, eram inimigos poderosos. Josué havia batalhado contra o rei de Jerusalém na conhecida batalha de Bete-Horom, quando pediu que o sol parasse em Gibeão e a lua no vale de Aijalom, prolongando o dia por quase 48 horas. Apesar da vitória, os jebuseus continuaram em Sião.
A tribo de Judá, mais tarde, também combateu contra eles, chegando a incendiar a cidade. Mas não conseguiram expulsá-los. Orgulhosos, os jebuseus ridicularizavam Israel, dizendo que até cegos e coxos bastariam para defender a cidade. Consideravam Israel fraco e incapaz.
Quando Davi se aproximou com seu exército, eles zombaram, dizendo que Israel não entraria. Mas Davi estava ali por revelação de Deus. Ele declarou que quem entrasse primeiro pelo canal seria capitão. Esse canal ligava a cidade à fonte de água que ficava fora dos muros, e por ali Joabe entrou primeiro, tornando-se comandante das tropas de Israel.
Davi tomou a fortaleza, estabeleceu ali a “Cidade de Davi” e trouxe a arca da aliança para junto de sua casa, pois queria a presença de Deus perto de si.
O reinado de Saul havia esquecido a arca, porque o centro havia deixado de ser Deus. Mas Davi, servo do Senhor e profeta nos Salmos, restaurou a centralidade de Deus em Israel. Ele também restabeleceu o culto, o altar dos holocaustos e, pela primeira vez, instituiu o louvor organizado no serviço a Deus, escolhendo levitas instrumentistas e cantores, pois entendia que louvar também é ministrar ao Senhor.
Jerusalém, portanto, simboliza a vida espiritual do servo de Deus: todos reunidos na presença do Senhor, com Ele no centro, oferecendo um culto perfeito.
Moisés já havia profetizado sobre um lugar que Deus escolheria para colocar o Seu nome (Deuteronômio 12:5, 12:11, 26:2). O Salmo 87 confirma:
“O Senhor ama as portas de Sião mais do que todas as habitações de Jacó. Gloriosas coisas se têm dito de ti, ó cidade de Deus.”
A palavra “Sião” aparece mais de 150 vezes na Bíblia. Ela representa a nossa cidadania celestial.
Mas, se os que habitam em Jerusalém não se santificarem, a cidade se torna apenas um local geográfico, sujeita ao juízo de Deus.
Mais tarde, após um pecado e juízo sobre Israel, Deus ordenou que Davi erguesse um altar na Eira de Araúna (ou Ornã), um jebuseu. Davi comprou o local e ofereceu sacrifícios, e Deus respondeu com fogo. Esse mesmo lugar foi onde Abraão ofereceu Isaque e onde, mais tarde, seria construído o Templo no Monte Moriá — o centro profético do plano de salvação, apontando para o sacrifício de Cristo.
Quando Davi conquistou Sião, entrou num lugar fechado, guardado, inacessível — mas entrou por revelação. Assim também, na vida espiritual, há lugares e experiências que Deus reserva para Seu povo, como o batismo com o Espírito Santo, que só se alcança pela obra e pela revelação.
Por isso, devemos guardar Jerusalém em nosso coração. No Antigo Testamento, ela unia o físico e o espiritual. No Novo Testamento, Jesus disse à mulher samaritana que a verdadeira adoração não depende de um monte ou de Jerusalém física, mas é feita “em espírito e em verdade” (João 4:20-24).
Assim, quando adoramos a Deus em espírito e em verdade, estamos na Jerusalém celestial, vivendo espiritualmente diante Dele.
Pr. Antônio Carlos Oliveira