Jovens, a nossa aula de hoje tem como assunto a Reforma Protestante e sua inserção no plano profético de Deus. Para iniciarmos esse assunto, quero lembrar a vocês algumas coisas já estudadas anteriormente. Depois, faremos um breve resumo do contexto histórico. Vocês já repararam como o pastor inicia o estudo da EBD? Assim, vamos estudar os marcadores proféticos. Mas por que ele fala isso? Os marcadores proféticos são acontecimentos históricos destacados na nossa história e onde eles se inserem no plano eterno de Deus. O plano eterno é a realidade celestial. Nós somos homens temporais, de geração em geração. Mas Deus é aquele que é de eternidade a eternidade, ou seja, antes e depois da nossa história, Ele é e sempre foi. Veja o texto de Paulo em Colossenses 1:26: "O mistério que esteve oculto desde todos os séculos em todas as gerações e agora foi manifesto aos seus santos." Pedro também, em sua epístola (1 Pedro 1:19-20), diz: "Mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por amor de vós." O que podemos concluir? Podemos concluir que não existe adaptação ou improviso no plano de Deus. Ele é eterno. Recapitulando, estamos estudando, neste tempo da escola bíblica, o ensino das sete cartas do Apocalipse, nos capítulos 2 e 3. Já estudamos a carta de Éfeso. A doutrina foi atacada quando estava sendo estabelecida. Vejamos Apocalipse 2:2: "Conheço as tuas obras, o teu trabalho e a tua paciência, e que não podes sofrer os maus; e puseste à prova os que dizem ser apóstolos e não são, e tu os achaste mentirosos." A doutrina foi atacada nesse período, e a igreja identificou aqueles que estavam ensinando algo que não era verdade. Na igreja de Esmirna, o corpo foi atacado, pois a igreja foi perseguida e muitos foram mortos. Em Apocalipse 2:11, lemos: "Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas: O que vencer não receberá o dano da segunda morte." Na igreja de Pérgamo, a fé foi atacada. Apocalipse 2:13-15 nos diz: "Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e retens o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita. Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem." A igreja medieval foi representada pela igreja de Tiatira. Apocalipse 2:20 nos alerta: "Mas algumas poucas coisas tenho contra ti: que deixas ou toleras Jezabel, mulher que se diz profetiza, ensinar e enganar os meus servos para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria." Agora chegamos à igreja de Sardes. Por uma operação do Espírito de Deus, ela foi resgatada. Apocalipse 3:4 nos diz: "Mas também tens em Sardes algumas poucas pessoas que não contaminaram suas vestes, e comigo andarão de branco, porquanto são dignas." Lembramos, em Mateus 13:44, da parábola do homem que descobriu um tesouro que fora enterrado. Assim, para falar sobre como a Reforma aconteceu, inseriremos alguns fatos históricos. Por volta do ano 313, o Imperador Constantino sobe ao trono. A história conta que sua mãe se converteu ao cristianismo. Alguns dizem que ele também se converteu, outros afirmam que foi apenas por conveniência. O fato é que ele baixou uma lei garantindo que a igreja não seria mais perseguida. O império se aproximou da igreja, e houve um casamento entre o Estado e a igreja. Alguns acharam que isso foi uma bênção, mas para outros, "algo errado não estava certo". Constantino percebeu que Roma não era o centro geográfico do império e criou uma nova capital em Bizâncio, atual Istambul, chamando-a de Constantinopla. Em 381, o Imperador Teodósio decretou que o cristianismo seria a religião oficial do império. Agora, existiam duas capitais: Constantinopla, no Oriente, e Roma, no Ocidente. A partir do ano 410, começam as invasões bárbaras no Império do Ocidente, que começa a enfraquecer. Quem aparece na cena para apaziguar os conflitos? O Papa. Muitos invasores eram cristãos e não concordavam com a aliança entre igreja e Estado. Sempre houve fiéis que resistiram, como Antipas, a fiel testemunha mencionada na igreja de Pérgamo. Assim, vemos que a Reforma Protestante surgiu como um movimento profético dentro desse contexto histórico e espiritual. Deus preservou um remanescente fiel ao longo da história, e a Reforma foi uma manifestação desse cuidado divino. A Igreja medieval vai surgir agora. Os cristãos vão ser enganados. A Igreja chamada medieval começa essa história agora, no ano 476. Então, cai o Império do Ocidente, e os cristãos começam a não mais viver a doutrina estabelecida pelo Pai, como na Igreja de Éfeso. Estabelecida pelo Pai em Éfeso, morta, vive morrendo, mas sustentando, não negociando princípios e valores. E eu quero fazer uma pausa agora para dizer o seguinte aos irmãos: o jovem não pode fazer pausa no ensino doutrinário que recebe, não pode negociar princípios, não pode, por um momento na vida, deixar de viver o verdadeiro evangelho, o Evangelho Eterno. Então, meus irmãos, para os jovens aqui agora, nós temos que entender uma coisa: entramos no período de Tiatira. E o que vai acontecer nesse período de Tiatira? Veja no texto de Apocalipse 2:19: "Eu conheço as tuas obras, e o teu amor, e o teu serviço, e a tua fé, e a tua paciência, e que as últimas obras são mais do que as primeiras." As últimas obras são mais do que as primeiras. Eles começaram a viver um governo que não era do Espírito Santo. Por quê? Porque negociaram a fé, não se sustentaram na doutrina e no ensino que haviam recebido. Meus irmãos, o foco da Igreja até Esmirna era viver a fé, porque tinham os olhos na promessa. Agora, no tempo de Pérgamo, que é esse tempo em que falamos de Constantino e Teodósio, o que acontece? Eles começam a negociar, porque agora não precisam mais orar. "Sou amigo do rei. Conheço fulano, que conhece beltrano, que resolve nossos problemas." Nesse período de Tiatira, há esse aprofundamento nas trevas e o fortalecimento da Igreja política, a Igreja casada com o Estado. Nesse contexto, as primeiras obras foram muito ruins. Heresias foram instaladas. Daqui a pouco, vamos ver – na verdade, os irmãos já ouviram falar sobre isso – indulgências, confessionários, ídolos, práticas que existem até hoje e que enganaram e fizeram com que os servos de Deus comessem dos sacrifícios da idolatria e se prostituíssem ao Senhor. É uma troca de amor, uma troca de valores. Quando a Igreja trocou, ela entrou nesse cenário da Igreja de Tiatira. Mas a Palavra diz que as últimas obras são mais. Vamos ver rapidamente alguns episódios que aconteceram na história, resgatando e retratando essas últimas obras. Chega um período da história em que o Senhor mesmo começa a levantar homens para se oporem ao sistema implantado. Esses homens foram espaçados na história. Vamos citar apenas três, mas existiram outros. A partir do século XII, mais precisamente no ano de 1170, apareceram os valdenses. Pedro Valdo fundou um movimento que começou em Lyon, na França, por volta desse ano. Ele acreditava que a Bíblia deveria ser lida e interpretada por todos, não apenas pelos clérigos. Os valdenses também eram contra a prática da compra de perdão pelos pecados, acreditando que a verdadeira fé deveria ser vivida com simplicidade. Depois, no século XIV, John Wycliffe, um teólogo inglês, passou a criticar a corrupção dentro da Igreja, especialmente a venda de indulgências. A salvação comprada com dinheiro não era algo aceitável. Deus começou a levantar pessoas como uma voz contra esse sistema. E o que Wycliffe fez de interessante? Ele traduziu a Bíblia para o inglês, permitindo que o povo tivesse acesso direto à Palavra de Deus, sem intermediários. Isso foi algo inovador e causou uma revolução na mente das pessoas. No século XV, por volta de 1400, John Hus, um sacerdote e teólogo, adotou muitas ideias de Wycliffe, especialmente sua crítica às indulgências e ao poder papal. Durante o Concílio de Constança, em 1415, Hus foi condenado por heresia e queimado na fogueira. Sua morte o transformou em um mártir, e suas ideias continuaram a se espalhar. Meus irmãos, a luta desses homens, levantados por Deus, produziu na Europa, a partir do século XIV, um movimento cultural e científico que marcou a transição da Idade Média para a Idade Moderna. Houve a redescoberta do conhecimento clássico, focado nas línguas originais, principalmente no grego e no hebraico. Isso gerou um ambiente propício para muitos questionamentos sobre a Igreja e uma valorização do ser humano e da racionalidade. Tudo passou a ser questionado. Esse movimento foi chamado, na história, de Renascimento. No século XV, entre 1450 e 1455, Gutenberg inventou a imprensa. Com o advento da imprensa, tornou-se possível a impressão de livros. As ideias agora eram divulgadas massivamente. Houve a impressão de muitos livros, incluindo a Bíblia em outros idiomas, o que ajudou a disseminar as ideias reformistas. Era um ambiente sendo preparado para a Reforma. Tudo isso, meus irmãos, foi Deus quem fez. Não foram os homens. Esses homens, sozinhos, não conseguiriam realizar essas mudanças. Agora, podemos fazer uma pergunta: o que realmente nos interessa sobre a Reforma? O que importa é saber que ela existiu e constatar que a Palavra de Deus, profeticamente anunciada, foi cumprida e continua sendo cumprida. Deus é fiel. A Reforma aconteceu na Alemanha. Sim, aconteceu na Alemanha. Lutero, em um determinado momento, em 1517, estudando e influenciado pela ideia reformista, afixou 95 teses na porta da Igreja de Wittenberg. Era uma universidade onde ele também dava aula. Mas a Reforma não foi um evento isolado que aconteceu em 1517 com Lutero e acabou ali. Aconteceu também na Suíça com Zwinglio, em 1520, na cidade de Zurique. Na França, a perseguição era intensa. Um outro reformador, Calvino, em 1534, teve que sair da França e ir para a Suíça. Em Genebra, ele foi convencido a ficar e começou a escrever suas ideias, consolidando sua teologia nos papéis. Um detalhe importante: Calvino acreditava na predestinação. Esse tema gera muitas dúvidas até hoje. "Uma vez salvo, salvo para sempre?" Essas questões frequentemente surgem entre os jovens. O fato é que esses homens influenciaram muito o mundo, desde então até os nossos dias. Estamos falando de eventos que ocorreram há 500 anos. De lá para cá, tudo mudou. A Igreja de Sardes nasce nesse contexto, com esses restantes, com esses homens lutando e morrendo por essa causa. O Espírito de Deus, que foi derramado sobre a Igreja de Éfeso, que era uma operação dos sete espíritos de Deus, agora volta a ser derramado sobre a Igreja de Sardes. Nesse momento, as pessoas voltam a defender aquilo que Deus colocou dentro delas, aquilo que o Espírito de Deus imprime em seus corações, como está na Palavra. Era a tese dele, e a glória nisso tudo. Não era para homens, não era para fulano ou beltrano, mas era agora somente a Deus. A passagem bíblica que teve um impacto profundo na vida de Lutero e o que o levou a formular essas bases da reforma protestante foi o texto de Romanos 1:17. O texto diz bem assim: "Porque nele, eu coloquei ali o evangelho…" A gente coloca o evangelho, né? Porque está falando no versículo anterior do evangelho, se descobre a justiça de Deus, de fé em fé, como está escrito: "Mas o justo viverá pela fé." Ele acreditava que Deus era justo no sentido de punir os pecadores, o que levou ele a uma grande angústia espiritual, já que ele se via incapaz de alcançar a perfeição exigida. Ele passou a entender que a justiça de Deus não se referia ao julgamento sobre os pecadores, mas a justiça de Deus, na verdade, faria com que a graça que traz a salvação fosse derramada sobre a vida do homem, porque seria o único escape para o homem. E isso foi uma bênção para Lutero. Meus irmãos, nas ideias dele, ele criticava aquela filosofia escolástica que vem de Aristóteles, sistematizada por outros nomes que nós estamos falando aqui. Só estudando, eu vou pedir aos professores, depois, aos irmãos e aos jovens, estudem um pouco mais. Vão ver que essa filosofia, sistematizada por Aristóteles, é dita por Aristóteles e sistematizada por Tomás de Aquino. Ela queria fazer uma coisa: queria juntar razão e fé. E meus irmãos, Lutero entendeu isso e fez uma citação dizendo que a razão é a maior inimiga da fé. Ela nunca traz ajuda às coisas espirituais. Lutero insistia que a filosofia deveria ocupar um papel subordinado à teologia, servindo inclusive a palavra de Deus, mas como uma boa filosofia, como um fato de estudar, e não a filosofia que vem do homem, querendo, na verdade, explicar quem é Deus. Mas o bom estudo deveria servir à teologia que vem de Deus, à revelação do Espírito, aquilo que foi uma novidade de espírito para ele, que o libertou do reino das trevas e trouxe-o para o reino do Filho do seu amor. Isso deveria ser estudado, sim. Bom, ele defendeu também a criação de escolas e universidades para formação de ministros. Outra coisa que ele defendeu é que o chamado feito pela congregação, o ministro, continua tendo que prestar contas a ela. Não é uma coisa dissociada, e o pastor e os irmãos não saem fazendo o que querem, como bem entendem. Não, nosso chamado até hoje, meus irmãos, é o mesmo. Nós precisamos pontuar isso agora para dizer uma coisa: o nosso compromisso é com o Espírito de Deus, o mesmo Espírito que motivou Lutero, o mesmo Espírito que nos resgatou, que nos trouxe, que resgatou aquele tesouro escondido que, posteriormente, nós vamos estudar. Se os irmãos estudarem, vão ver na escola bíblica, é um estudo que vai descobrir Jesus dentro desse tesouro que foi encontrado. Bom, concluindo, eu queria dizer para os irmãos o seguinte: enquanto os homens constroem a sua história, o plano profético de Deus estava sendo realizado. A história fala que esses reformadores foram apoiados por uma burguesia que não queria mais entregar recursos financeiros para o Papa, mas sabemos de uma coisa: Deus estava cuidando do seu povo e trazendo à tona de novo, redescobrindo, para o mundo, a palavra da verdade. Então, olha só, veja o texto abaixo. Se vocês sabem o que significa para nós isso, para nós entendermos o porquê estamos estudando esse marco profético chamado Reforma Protestante, o texto de Paulo aos Tessalonicenses, no capítulo 5, versos 1 e 2. Vamos ler. Os irmãos: "Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva, porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como ladrão de noite." Vejam, meus irmãos, os tempos e as estações. A Igreja de Tessalônica já conhecia. Eu pergunto para você hoje, jovem: você conhece o tempo que está vivendo? Você sabe que o tempo que estamos vivendo hoje é chamado de tempo do breve? Nós somos esses restantes de tiatira que sobrevivem até hoje. Por isso, a Bíblia diz assim: "São poucos os que se salvam." Mas nós temos uma alegria no nosso coração. Deus é fiel em toda a sua palavra profetizada. Assim como tudo que se cumpriu até agora, tudo se cumprirá, daquilo ainda que não se cumpriu. Ou seja, a porta da graça está aberta, Jesus vai voltar para buscar a sua igreja. Então, aqui eu faço uma recomendação para os irmãos se prepararem. Cuide da sua vida, jovem, para não perder sua vida querendo ganhar o mundo. Então, você precisa cuidar, sabe por quê? Porque o arrebatamento da igreja está próximo, e essa é a palavra que precisamos que os irmãos entendam nessa hora. Para entender a Reforma Protestante como um marco profético do tempo que estamos vivendo, porque isso vai sinalizar para você, jovem, o tempo de hoje, que é esse de breve, e a necessidade de estar pronto, porque o Senhor virá como um ladrão de noite. Deus abençoe você, e a paz do Senhor Jesus. Pr. Fábio Canal